ABHH e SBTMO alertam para o desabastecimento de imatinibe no Brasil; medicamento é indicado para tratamento de leucemia

AAssociação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), e a Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO), vêm por meio desta nota conjunta tornar pública sua consternação em relação ao desabastecimento do medicamento Mesilato de Imatinibe, indicado para pacientes de Leucemia Mieloide Crônica (LMC).

O fármaco está em falta em todo o território nacional. Para se ter uma ideia, o Instituto Nacional do Câncer estima que este ano sejam diagnosticados quase 12 mil casos novos de leucemia, sendo 15% deles de LMC.

Vale lembrar que, em novembro de 2021, foi sancionado pela Presidência da República o Estatuto do Câncer em que ficou definido, entre outros pontos, que o paciente com câncer tem direito ao acesso universal ao tratamento recomendado e adequado desde a rede primária até alta complexidade, incluindo assistência de fármacos indicados.

A distribuição do fármaco em questão, assim como outros, é centralizada pelo Ministério da Saúde, que repassa às Secretarias de Saúde dos estados para, então, serem entregue aos hospitais.

Com base nesta expectativa, vimos por meio desta solicitar publicamente às autoridades regulatórias a máxima urgência e atenção ao cenário para que centenas de pacientes não tenham seus tratamentos impactados pelo trâmite logístico e burocrático. O tema, foi inclusive, repercutido em uma matéria no Jornal Nacional da TV Globo no dia 08 de janeiro: “Pacientes que dependem de medicamentos do Ministério da Saúde estão recorrendo a doações”

Tanto ABHH quanto SBTMO têm conhecimento de que esta não é a primeira vez que ocorre a falta deste fármaco, o que torna urgente encontrar soluções para que esta situação não mais se repita.

Atenciosamente,

José Francisco Comenalli Marques Junior, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)

Angelo Maiolino, vice-presidente da ABHH e diretor do Comitê de Acesso a Medicamentos e de Mieloma Múltiplo

Fernando Barroso, Presidente da Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBtMO)

Citometria de Fluxo para monitorar a DRM-LLAb – é possível padronizar as análises?

Com 21 laboratórios envolvidos, projeto pioneiro da SBTMO e Amgen, tem demonstrado que sim

Está em andamento no Brasil, um programa pioneiro para padronização da avaliação da Doença Residual Mínima (DRM) em pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda de linhagem B (LLApB): o Projeto DRM-LLAb SBTMO-Amgen.

Com 21 laboratórios de citometria de fluxo que assistem aos centros de transplante de medula óssea nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste (confira lista abaixo), o Projeto teve início em agosto de 2019, com o propósito de promover as melhores práticas de avaliação da doença, com base no protocolo do consórcio de universidades europeias, o EuroFlow.

Neste um ano de atividades, o Projeto já tem contribuído com a qualificação dos laboratórios.

Sob a coordenação da hematologista especialista em citometria de fluxo, Maura R. Valério Ikoma-Colturato, do presidente da SBTMO, Nelson Hamerschlack, e da hematologista e membro da Sociedade, Belinda P. Simões, o Projeto já gerou dois estudos científicos, publicados em periódicos nacionais:

Minimal residual disease in Acute Lymphoblastic Leukemia in the context of hematopoetic stem cell transplantation  – Publicado na 1ª edição de 2020 do periódico científico da SBTMO, o Journal of Bone Marrow Transplantation and Cellular Therapy (JBMTCT). O artigo pode ser acessado aqui

Minimal residual disease assessment in acute lymphoblastic leukemia by 4-color flow cytometry: Recommendations from the MRD Working Group of the Brazilian Society of Bone Marrow Transplantation – Publicado em 21/11/2020, na Hematology, Transfusion and Cell Therapy pelo Grupo de DRM da SBTMO. O artigo, bem como seus suplementos – os quais contêm instruções de suporte sobre os processos de padronização, podem ser acessados aqui.

Para a Dra. Maura, que também assina ambos os artigos como autora principal, o Projeto “contribuirá com a uniformização da prática da DRM por citometria de fluxo no país, e possibilitará uma melhor avaliação da resposta nas fases críticas do tratamento, pela utilização de protocolo de alta sensibilidade e reprodutibilidade, trazendo ainda maior segurança na indicação do transplante de medula óssea (TMO), por meio do monitoramento da carga tumoral da doença, e dentro desse contexto ainda; e como marcador precoce de uma possível recaída”.

Confira os 21 laboratórios integrados ao Projeto:

  • DASA RJ
  • DASA SP
  • Laboratório Citometria – Getúlio Sales Diagnóstico (Natal/RN)
  • Laboratório de Citometria – Hospital Erasto Gaertner
  • Laboratório de Citometria de Fluxo – Hemoce
  • Laboratório de Citometria de Fluxo – Santa Casa de POA
  • Laboratório de Citometria de Fluxo do HCFMRP-USP
  • Laboratório de Citometria de Fluxo do Hospital de Amor Barretos
  • Laboratório de Citometria de Fluxo HIAE
  • Laboratório de Citometria de Fluxo IMIP
  • Laboratório de Imunofenotipagem – HUCFF/FM/UFRJ
  • Laboratório de Imunofenotipagem HCUFPR
  • Laboratório de Imunofenotipagem N. Sra. Das Graças
  • Laboratório de Imunologia do Serviço de Atividades Laboratoriais do CEMO / Inca
  • Laboratório de Marcadores Celulares |Hemosc/CEPON – Florianópolis
  • Laboratório LAC – Nossa Senhora da Conceição – Porto Alegre
  • Laboratório Médico Santa Luzia
  • Núcleo de Oncologia e Hematologia | Santa Casa BH
  • Oncobio
  • Sabin Medicina Diagnóstica
  • Serviço de Diagnóstico Laboratorial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (SDLAB – HCPA)

Eleitos os membros da nova gestão do Grupo de Trabalho de Gerenciadores de Dados em TCTH da SBTMO

Foram eleitos os novos coordenadores do Grupo de Trabalho de Gerenciadores de Dados em TCTH da SBTMO – gestão 10/2021 a 10/2023.

Conheça cada um dos integrantes desta nova gestão:

Presidente: Cinthya Muniz Corrêa Rocha da Silva 

Vice-presidente: Anderson João Simione

Coordenadora de trabalhos científicos: Heliz Regina Alves das Neves

Suporte científico: Paula Moreira da Silva Sabaini

Suporte administrativo e científico: Bruna Letícia da Silva Santos Geraldo

Suporte CIBMTR: Monique Ammi

Para este próximo biênio, os gerenciadores de dados têm como perspectivas e metas:

• Incluir novos membros no grupo dos GDs;

• Elaborar os POPs: Atribuições de cada cargo do GTGD e Organização do serviço para iniciar o registro de dados;

• Aumentar o número de centros que realizam o reporte de dados ao CIBMTR;

• Incentivar 100% dos centros de TCTH a participarem do RBTCTH;

• Elaborar cronograma científico para envio de trabalhos, como: abstracts, artigos e aulas;

• Incentivar a organização das próximas chapas para compor o GTGD;

• Organizar e capacitar os GTGDs, por regiões – Processo de regionalização;

• Expandir o modelo de gerenciamento de dados brasileiro, como: formação de grupo de trabalho, capacitação dos GDs e organização da infraestrutura dos centros para a América Latina;

• Desenvolver tutorias para preenchimento das fichas do CIBMTR;

• Atualizar o summary slides do Brasil;

• Renovar a certificação via SBTMO e SNT dos centros brasileiros;

• Consolidar o projeto do espaço no site da SBTMO aos sócios para consultarem aulas e outros materiais dos GDs;

A pedido da equipe de comunicação da SBTMO, Cinthya compartilhou algumas palavras quanto ao sentimento do grupo, que caminha para seus 3 anos de existência enquanto grupo, em uma atividade ainda pouco conhecida no país. “No princípio, éramos três: Anderson (ou Ander), Heliz e eu. Nos chamavam carinhosamente de ‘os três mosqueteiros’. Agora,  somos mais de 20 GDs espalhados por todo o Brasil e nós ‘5’: Ander, pacífico, genial na gestão e análise dos dados; Heliz, madura e de uma inteligência ímpar; Bru, excelente comunicadora e domínio de treinamento e Paulinha, resoluta e assertiva nas colocações, além da fluência em inglês. Olhar para o início da nossa jornada e ver os passos que estamos trilhando, muito nos honra. Fazer parte deste processo de consolidação dos gerentes de dados do Brasil é desafiador, mas, caminhamos com a certeza de que valerá à pena”. 

Ao grupo geral dos GDs, em nome do GTGD, agradecemos o empenho em fazer acontecer o registro do Brasil, através do preenchimento do CIBMTR, e de outros registros para se fazer conhecido os outcomes do país e favorecendo principalmente o paciente.

“Nossa expectativa é dar continuidade aos projetos iniciados desde a criação de nosso GT, como a expansão do Registro Brasileiro do Transplante de Células- Tronco Hematopoiéticas (RBTCTH) e a geração do 1º Summary Slides do Brasil. Agradecemos à diretoria anterior da SBTMO, na figura do Dr. Nelson Hamerschlak, por ter acreditado na importância do Gerenciamento de Dados para compreensão do cenário do TMO em nosso País. É preciso mencionar a valorosa contribuição do Dr. Marcelo Pasquini e da Monique Amni, que representam o CIBMTR. Esperamos seguir juntos neste ritmo, alcançando o propósito da nossa Sociedade, por meio da nova diretoria, que tem à frente Dr. Fernando Barroso”, relata ela.

A SBTMO aproveita para desejar a todos os GDs uma excelente gestão.

SBTMO Entrevista: Fernando Barroso Duarte

Às vésperas de concluirmos 2021, ano em que completamos 25 anos de existência, convidamos o novo presidente da SBTMO, Fernando Barroso Duarte, para falar sobre suas expectativas para a nova gestão, que teve início em outubro deste ano e segue até 2023.

Neste vídeo acima, é possível acompanhar um trecho das palavras que compartilhou durante a solenidade de possa da nova diretoria, realizada durante o Congresso SBTMO 2021, na Assembleia Geral Ordinária, em 8 de outubro.

Primeiro representante da região Nordeste a presidir a SBTMO, o especialista possui 15 anos como membro associado, conta um pouco de sua trajetória no universo da hematologia e do TMO.

Natural de Fortaleza (CE), Duarte é formou-se em 1990 pela Universidade Federal do Ceará, instituição em que atualmente é coordenador da equipe de Transplante do Hospital Universitário Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará (HUWC-UFC); Professor de Transplante de Medula Óssea UFC e Coordenador da Residência Médica de Hematologia e TMO. 

Sua experiência em hematologia e TMO já soma 28 anos. Fez seu Pós-doutorado no Fred Hutchinson Câncer Research Center (Fred Hutch)/ Seattle Cancer Care Alliance (EUA) em 2017, com a Dra. Mary Flowers.

Além disso, é editor-chefe e um dos idealizadores do Journal of Bone Marrow Transplantation and Cellular Therapy (JBMTCT), o periódico cientifico oficial da SBTMO e primeiro na América Latina a ter como linha editorial exclusiva a abordagem multidisciplinar do TMO.

Confira a seguir a entrevista cedida por Duarte à nossa equipe de comunicação:

SBTMO Entrevista – Como se sente sendo o primeiro representante da região Nordeste a estar à frente da Sociedade?

Dr. Fernando Barroso Duarte – Uma responsabilidade e uma honra muito grande. Acho importante em um país continental como o nosso, poder representar esta região e fazer ela crescer – contribuir com sua evolução e aperfeiçoamento. Ter sido indicado por meus colegas a presidir nossa Sociedade me deixa muito honrado, sobretudo, ao lado de pessoas que me inspiram e estimulam, como cada um dos membros de nossa diretoria e nossos associados.

Membros das diretorias 2019-2021 e 2021-2023, juntos, durante a posse da nova gestão

SBTMO Entrevista – Quais perspectivas para os próximos anos de SBTMO?

Dr. Barroso – Considero nossa Sociedade essencial para o desenvolvimento e melhoria do TMO no Brasil. A cada ano vem se tornando mais atuante e inclusiva, com todos os profissionais multidisciplinares envolvidos. Atenta aos problemas importantes dos pacientes e sempre buscando aprimoramento e modernidade, sem esquecer suas origens e propósitos.

Nestes próximos anos esperamos, acima de tudo, preservar o espírito de união, parcerias e solidariedade, que são próprios dos transplantadores e estão inseridos no DNA desta Sociedade, dando continuidade aos projetos iniciados pelas gestões anteriores, tais como estímulo à pesquisa, por meio da criação do Journal of Bone Marrow Transplantation and Cellular Therapy, periódico exclusivo – e inclusivo – de nossa entidade, que tornou-se o primeiro na América Latina a seguir uma linha editorial exclusivamente voltada ao TMO.

Vamos contribuir com as ações de nossos Grupos de Trabalho e dar continuidade ao Registro Brasileiro de TCTH, que vêm ganhando cada vez mais novos centros, o nos permitirá reportar nossos dados ao CIBMTR e gerar uma visão panorâmica do cenário do TMO em nosso país, o que nos possibilitará conhecer ainda mais nossa realidade.

Trabalharemos para manter proximidade com SNT, Redome/Rereme, ABTO e, claro, as parcerias internacionais, com ASTCT, CIBMTR, EBMT e LABMT e nacionais, com entidades-irmãs, como ABHH, ABHI, ABTCel, Sobope, Abrenfoh, Sobrafo e tantas outras.

Também está no nossos radar estimular a formação de Jovens Transplantadores, por meio do Programa Jovem Transplantador, lançado este ano, que contará com mais 3 módulos em 2022 (casos clínicos, terapia celular e pediatria). Manteremos nossas Reuniões Regionais, cursos de Educação à Distância e, claro, fomentaremos o crescimento de nosso Congresso Nacional, que no próximo ano deve adotar um modelo híbrido.

Isso tudo, tendo sempre como norte a clareza da ciência, ética e da dignidade humana como norte de todas as nossas decisões, na busca de uma vida melhor para todos.

SBTMO Entrevista – Quais razões o levaram a escolher a medicina e, posteriormente, seguir na hematologia  e TMO?

Dr. Barroso– Meu ponto de aproximação com a medicina veio por meio da família. Um tio médico, pelo qual tenho muita admiração, foi um dos fios condutores nesta caminhada. Depois, veio a vontade de contribuir com “meu lugar”, com meu “cearazinho”. Com isso, foram se expandindo os horizontes que me conectavam com o ser médico. O fascínio em conhecer o corpo humano, as nuances que nele há. E, caro, o constante movimento e estímulo que há na busca do saber que mora no oncohematologista e no médico transplantador.

A hematologia entrou na minha vida por dois motivos: a racionalidade e a abrangência que há nesta especialidade. Na verdade, este é um campo que considero instigante, pois permite associar a visão laboratorial ao raciocínio diagnóstico. Outro aspecto que considero importante, é a vertente oncológica, que possibilita auxiliar pacientes com prognósticos mais desafiadores devido aos seus diagnósticos e oferecer qualidade de vida, sobrevida, aliviando suas dores e tratando suas condições.

Já especificamente o TMO, considero ter se tornado uma religião para mim. Fui movido pela situação de minha região. No Ceará era uma necessidade real. Assistia pacientes que poderiam ser beneficiados por um TMO, mas muitas vezes morriam por não terem esta oportunidade.

Dr. Fernando Barroso e equipe HUWC-UFC

Na mesma proporção que o TMO foi criado em terras cearenses, eu também nasci como um transplantador e me tornei um transplantador de medula. Foram 10 anos para montar o transplante aqui no HUWC-UFC. Levamos de 1998 até 2008. Foi uma empreitada desafiadora, na qual houve soma de esforços de muitas pessoas, como de Dra. Helena Pitombeira e Dra. Rosângela Ribeiro, companheiras nesta jornada, as quais cito nominalmente e representam tantos outros colegas que sabem quem são e acreditaram neste propósito. Todos são especiais e fazem parte disso.

SBTMO Entrevista – O que significou para a região poder contar com um serviço de transplantes?

Dr. Barroso – Acredito que quando vem uma terapia de alta complexidade, como o caso de um transplante, você “obriga” tudo o mais ao redor a melhorar. Passamos a ter equipe multidisciplinar, a alcançarmos qualificações e, em especial, tornou-se possível oferecer uma opção de vida para nossos pacientes, na região em que residiam, o que considero um benefício imensurável. Isso marcou profundamente minha trajetória e me moveu de maneira obstinada.

Antes, havia uma fronteira que os distanciava. O indivíduo precisava sair do seu lugar de origem e se dirigir a outras regiões do Brasil. Muitas vezes, em locais em que não havia uma estrutura familiar, se quer econômica, que tornasse esta uma alternativa viável.

Na mesma proporção que o TMO foi criado em terras cearenses, eu também nasci como um transplantador e me tornei um transplantador de medula

SBTMO Entrevista – Como foi o seu primeiro TMO?

Dr. Barroso – Ah, como ganhar uma Copa do Mundo. Era 2008, tínhamos acabado de inaugurar nosso serviço. O paciente era daqui, de Fortaleza, e tinha mieloma múltiplo e, gratamente, está vivo até hoje.

Desde então, já foram aproximadamente 700 procedimentos realizados, dos quais participei. Mas, posso dizer que ainda assim, a emoção é a mesma.

SBTMO Entrevista – O que considera mais desafiador como gestor de um serviço público de TMO no país? 

Dr. Barroso – A implementação de novas tecnologias, o acesso a drogas e a terapia celular são pontos ainda nevrálgicos. Há ainda questões mais básicas, como disponibilidade de leitos para nossos pacientes no SUS.

Estamos procurando mudar mais esta realidade. Inclusive, começamos já a dar todos os passos para montar aqui (HUWC-UFC) um serviço de Terapia Celular. Já é um projeto em andamento, junto com o Hemoce, com a Dra.  Luciana Carlos e professora Romélia Gonçalves.

Iniciamos esta empreitada há 4 anos, pra obtenção do Prodigy (tecnologia para infusão de CAR T). Pretendemos ter o CAR T público, atrelado ao TMO – algo muito importante – na região e no Brasil, com certeza.  

Isso pode nos tornar inclusive o primeiro serviço público a ter uma terapia como esta. A pandemia do novo coronavírus nos atrasou em um ano, mas temos previsão que já em 2022 poderemos estar “funcionando” e iniciando nossas pesquisas para que, em um futuro (espero eu, próximo), estarmos preparados para oferecer à nossa população este tratamento.

SBTMO Entrevista – Como pesquisador, como avalia o papel da pesquisa no âmbito do desenvolvimento e fortalecimento do TMO no País?

Dr. Barroso – Nossa revista – Journal of Bone Marrow Transplantation and Cellular Therapy, é hoje a única na América Latina a adotar uma linha editorial exclusivamente voltada ao TMO e com espaço para publicações multidisciplinares.

Nosso periódico se propõe a ser um espaço para que os transplantadores possam publicar seus trabalhos, discutir seus aspectos e relatos de casos. Já temos o Consenso de Diretrizes do TCTH e, agora, em dezembro de 2021, lançaremos o I Consenso Pediátrico, arrisco eu, da América Latina. Ano que vem (2022), sairá o Manual Técnico de Terapia Celular – SBTMO.

SBTMO Entrevista – Além da dedicação ao HUWC-UFC e, agora, como presidente da SBTMO, com quais outras atividades o sr. divide seu tempo?  E, por fim, o que o inspira a seguir em frente?

Dr. Fernando Barroso ao lado de Dra. Mary Evelyn Flowers, em Seattle

Dr. Barroso – É como dizem: fundamental cuidar do corpo, mente e espírito. Pratico exercícios antes de iniciar minha rotina profissional. Além disso, nas “horas vagas”, escrevo. Publiquei livros de poesias, sobre vinhos – uma de minhas paixões.

No TMO, cito como minhas grandes inspirações, Prof. Ricardo Pasquini, Dra. Mary Evelyn Flowers (foto ao lado, durante sua pós em Seattle com Dra. Flowers), Dr. Júlio Voltarelli (em memória). Posso dizer com segurança que aprendo a cada dia com meus colegas, aos quais hoje tenho orgulho de poder me dirigir como “amigos”. Me sinto realmente “em casa” na comunidade de TMO.

A SBTMO se tornou um lugar em que me encontrei, com profissional, como pessoa. Fiz amigos, pessoas valorosas a quem posso dizer que respeito extremamente pela trajetória, pela persistência. Fomos virando uma grande família, é algo imensurável.

Mas, preciso dizer que meu porto-seguro, aonde estão as raízes da minha energia, é minha família. Minha mulher, Dra. Pastora Duarte, que há 25 anos está comigo para tudo; meus filhos, João Vitor, Beatrice, Isabella, Fernando – que vêm se mostrando “tão insanos quanto o pai aqui”, pois decidiram se embrenhar também neste infindável, complexo, intenso e instigante universo que é ser médico.

Esta é fonte de inspiração que, inclusive, me moveu a concretizar o Programa Jovem Transplantador – SBTMO, lançado agora, em 2021, como mencionei anteriormente. São os jovens nosso horizonte. Vejo isso, todas as manhãs, ao olhar meus filhos.

Nota de pesar Dr. Waldir Veiga Pereira

É com extremo pesar que comunicamos o falecimento do médico e amigo Waldir Veiga Pereira, um grande mestre e professor de nosso tempo. O especialista, nascido no Rio Grande do Sul, foi um pioneiro na área de Hematologia e Oncologia. Dedicou sua vida à pesquisa e ao atendimento de crianças e adultos.

Em 2012 foi contemplado com o recebimento do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Santa Maria, onde foi estudante de medicina em 1960. Sua contribuição a comunidade científica brasileira é inestimável e, com certeza, manterá o seu legado para a eternidade.

Aos familiares, amigos, pacientes e alunos nossas condolências.

Diretoria SBTMO

Oportunidade de Inclusão no Registro Multicêntrico de TCTH até 24/11

Saiba como participar

Você já faz parte do RBTCTH? (Registro multicêntrico de Transplantes de Células – Tronco Hematopoéticas autólogos e alogênicos para doenças malignas e não malignas realizados no Brasil e relatados no Center for International Blood and Marrow Transplant Research)

Até o dia 24 de novembro é possível manifestar o interesse em ingressar no programa e, com isso ser contemplado já nesta próxima emenda do projeto, que será submetida ao CEP proponente do estudo para, então, seguir à apreciação da CONEP e dos CEPs locais.

Você pode enviar uma mensagem manifestando o interesse em fazer parte do programa também para o e-mail: registrobrasileiro@sbtmo.org.br

Participe! Para iniciar o processo, clique aqui e preencha a ficha de cadastro para obter os dados dos centros e CEPs, e fazer a inclusão de seu centro no estudo.

Atualmente, são 62 centros aprovados pela CONEP para enviar os dados do TCTH ao CIBMTR. Destes, já há 60% (37) de aprovações dos CEPs locais, liberando a prática nos respectivos centros.

Registro Multicêntrico Brasileiro de TCTH ganha 6 novos Centros

Projeto passa a ter um total de 62 serviços aprovados pela CONEP para enviar os dados do TCTH ao CIBMTR

Em expansão, o “Registro Multicêntrico de Transplantes de Células-Tronco Hematopoéticas autólogos e alogênicos para doenças malignas e não malignas realizados no Brasil e relatados no Center for International Blood and Marrow Transplant Research” (RBTCTH) acaba de ganhar 6 novos centros. Com isso, o RBTCTH passa a ter um total de 62 centros aprovados pela CONEP para enviar os dados do TCTH ao CIBMTR.

Passam a integrar o programa:

  • Hospital Alemão Oswaldo Cruz
  • Hospital União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer
  • Hospital de Clínicas de Uberlândia
  • Hospital da Criança de Brasília José Alencar
  • Hospital Santos Dumont – Unimed São José dos Campos
  • Hospital Regional da Unimed – Fortaleza

Você já ouviu falar na “Síndrome Mielodisplásica”?

Hoje, 25 de outubro, é Dia Mundial da Conscientização sobre este, que é um tipo de câncer no sangue. Trata-se de um distúrbio de insuficiência da medula óssea, que ocorre quando a medula óssea não produz glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas suficientes, ou quando as células sanguíneas produzidas estão danificadas ou defeituosas. Isso significa que o corpo não pode se abastecer com o sangue de que necessita.

A MDS Foundation, uma organização internacional de apoio aos pacientes e familiares com SMD, criou esta data para chamar a atenção da população mundial sobre a existência da doença, visto que o diagnóstico correto e precoce é fundamental para alcançar uma sobrevida, inclusive, livre da doença.

O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é considerado a única maneira de potencialmente curar a SMD. Por isso, a SBTMO apoia esta campanha mundial, para ampliar as chances dos pacientes com SMD de alcançarem o tratamento adequado em tempo e, se houver indicativo de transplante, poder ser uma opção terapêutica segura. Entre os 32 centros que integram o grupo latino-americano de TCTH, o Brasil é o que possui maior índice de TCTHs realizados no período de 1988 a 2019.

A perspectiva é que haja de 22 a 45 casos por ano a cada 100.000 pessoas no mundo, o que inclui o Brasil. Mais comum entre a população de idosos, estima-se que 75% dos pacientes têm mais de 60 anos de idade. Por ser ainda subdiagnosticada, é difícil precisar o número exato de pessoas com SMD. Mas, atenção: embora mais raro, a doença também pode afetar pessoas mais jovens e, até mesmo, crianças.

Aproximadamente 30% dos pacientes com SMD podem evoluir para leucemia mieloide aguda (LMA), um tipo de câncer no sangue ainda mais agressivo. Por isso, as SMDs podem ser conhecidas como “pré-leucemia”. Como a maioria dos pacientes não desenvolve leucemia, a SMD costumava ser classificada como uma doença de baixo potencial maligno.

Os sintomas gerais associados à SMD podem incluir fadiga, tontura, fraqueza, hematomas e sangramento, infecções frequentes sem causa aparente e dores de cabeça.

A SMD tem características semelhantes às de outras doenças do sangue, como as anemias, que precisam ser consideradas antes de se chegar ao diagnóstico correto. Por isso, além de uma avaliação clínica completa, bem como análise do histórico do paciente, um exame da medula óssea (biópsia), é indicado quando as formas de anemia mais facilmente tratáveis já foram excluídas pela equipe médica.

A SBTMO apoia esta campanha mundial de Conscientização sobre SMD. Com conhecimento será possível ampliar as chances dos pacientes alcançarem o tratamento adequado em tempo e, se houver indicativo de transplante, que possa ser uma opção terapêutica segura.

Fontes de informações utilizados neste material:

What is MDS – MDS Foundation https://www.mds-foundation.org/what-is-mds/

Myelodisplastic Syndromes – Rare Diseases Organization – https://rarediseases.org/rare-diseases/myelodysplastic-syndromes/

What are Myelodysplastic Syndromes? American Cancer Society. https://www.cancer.org/cancer/myelodysplastic-syndrome/about/what-is-mds.html.

Duarte FB, Moura ATG, Funke VAM, Colturato VAR, Hamerschlak N, Vilela NC, Lopes LF, de Almeida Macedo MCM, Vigorito AC, de Almeida Soares RD, Paz A, Stevenazzi M, Diaz L, Neto AEH, Bettarello G, de Gusmão BM, Salvino MA, Calixto RF, Moreira MCR, Teixeira GM, da Silva CC, Simioni AJ, Lemes RPG. Impact of Treatment Prior to Allogeneic Transplantation of Hematopoietic Stem Cells in Patients with Myelodysplastic Syndrome: Results of the Latin American Bone Marrow Transplant Registry. Biol Blood Marrow Transplant. 2020 May;26(5):1021-1024. doi: 10.1016/j.bbmt.2020.01.030. Epub 2020 Feb 27. PMID: 32112981. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32112981/

Registro Brasileiro de TMO: você já conhece?

Você já conhece o “Registro Multicêntrico de Transplantes de Células-Tronco Hematopoéticas (TCTH) autólogos e alogênicos para doenças malignas e não malignas realizados no Brasil e relatados no Center for International Blood and Marrow Transplant Research (CIBMTR)”?

Idealizada pela SBTMO em parceria com o CIBMTR, a iniciativa conta com o apoio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e tem como propósito desenvolver um Registro Brasileiro de TMO, que poderá inclusive gerar dados para o SNT e, também, para o RBT/ABTO, possibilitando o acesso a um panorama do TCTH nacional. Além disso, os centros participantes são certificados pela SBTMO, com o apoio do SNT.

Atualmente, o programa conta com um total de 56 centros aprovados pela CONEP para enviar os dados do TCTH ao CIBMTR (confira a lista de centros aqui) dos quais 28 já estão ativos no registro.

Participe! Para iniciar o processo, clique aqui e preencha a ficha de cadastro para obter os dados dos centros e CEPs, e fazer a inclusão de seu centro no estudo.

Você pode enviar uma mensagem manifestando o interesse em fazer parte do programa também para o e-mail: registrobrasileiro@sbtmo.org.br ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Confira também: Os primeiros resultados do estudo “Registro multicêntrico de Transplantes de Células – Tronco Hematopoéticas (TCTH) autólogos e alogênicos para doenças malignas e não malignas realizados no Brasil e relatados no Center for International Blood and Marrow Transplant Research (CIBMTR)” podem ser acessados, clicando no botão abaixo. 

Inédito, o material apresenta um balanço das ações e indicadores gerados com base nos dados coletados entre 2008 a 2019, junto a 24 centros de TCTH brasileiros, que reportaram seus dados ao registro neste período . Ao todo, foram registrados 7.264 Transplantes.