Transplante de Medula Óssea é foco de discussão entre especialistas brasileiros e internacionais
03/08/2012

Políticas públicas do TMO no Brasil e desafios na captação de doadores e Transplante de Medula no idoso serão alguns dos temas discutidos durante o XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO). O encontro reunirá entre os dias 2 e 5 de agosto, em Ribeirão Preto (SP), mais de 800 especialistas, entre médicos hematologistas, oncohematologistas pediátricos, enfermeiros, fisioterapeutas, odontologistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros. Confira abaixo alguns dos principais assuntos do Congresso:

1º) Transplante de medula óssea (TMO) como opção terapêutica de doenças do sangue benignas e malignas será alvo de discussão de hematologistas e profissionais. Em 2011 o número de TMOs realizados no Brasil chegou a um total de 1.732, o que representa um crescimento de 146,4% nos últimos dez anos, de acordo com dados divulgados no início deste ano (2012) pelo Ministério da Saúde. Segundo o diretor da SBTMO, Luis Fernando Bouzas, hoje o transplante pode ser feito de três formas: autogênico (autólogo), quando a medula ou as células são do próprio transplantado; alogênico, utiliza a medula óssea ou célula-tronco de um doador para um paciente; e o singênico, em que o doador é um irmão gêmeo.
2º) As políticas de saúde do transplante de medula óssea (TMO) no Brasil - Os especialistas irão avaliar no sábado, dia 4/8, em mesa redonda, as duas novas portarias MS/GM 845 e MS/GM 844, publicadas no Diário Oficial da União, em 3 de maio. A primeira prevê incremento de 60% nos valores dos procedimentos atualmente pagos pelo Ministério da Saúde via tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) aos centros transplantadores de medula óssea e outros tecidos e órgãos, que realizam procedimentos de alta complexidade. Já a segunda, institui a manutenção no Registro Brasileiro Voluntário de Doadores de Medula Óssea (REDOME), por meio de teto para número de cadastrados estabelecido em 267.190 por ano.
3º) Sexualidade feminina após transplante de medula óssea (TMO) - De acordo com a onco-ginecologista Lenira Mauad, membro da comissão científica do XVI CSBTMO, é necessário que os médicos se preocupem não apenas com a sobrevida das pacientes transplantadas, mas também pensem na qualidade de vida dessas mulheres. Após o TMO, as pacientes podem ter dificuldades em se relacionar sexualmente com seus parceiros devido à baixa autoestima. Muitas se sentem incapazes de atrair o parceiro e adotam comportamento de rejeição, isso porque cria-se uma ilusão em relacionar sexo com aparência de saudável, com pele suave e cabelos sedosos.
4º) TMO no idoso - Há aproximadamente 15 anos, nem mesmo se tentava fazer esse procedimento em pessoas com mais de 55 anos, devido aos riscos do tratamento. Entretanto, hoje, o panorama é bem diferente. Apenas nos casos de pacientes muito idosos, com mais de 70 anos, ou daqueles que possuem muitas comorbidades, como a obesidade mórbida, diabetes avançada, hipertensão ou cardiopatia, que o TMO ainda não é 100% recomendado. No caso transplante autólogo, ou seja, quando se usam as células do próprio paciente, não há mudanças significativas em relação ao procedimento utilizado para jovens e idosos. Já no TMO alogênico, de um doador para outro, aparentado ou não aparentado, há uma “tática diferente”. Entretanto, os riscos do transplante, independentemente da estratégia utilizada, vão sempre existir. O transplante de intensidade reduzida tem uma única vantagem em relação ao outro: diminuir a mortalidade no primeiro mês, em pessoas idosas. Ele reduz a toxicidade do regime de condicionamento, mas isto só nas primeiras quatro semanas. Nos meses seguintes, seja qual for a estratégia utilizada no transplante alogênico, vão existir as mesmas chances de o paciente ser acometido por doenças de enxertos contra hospedeiro agudas e crônicas.
5º) Captação de doadores - Segundo a palestrante do Congresso, Carmen Vergueiro, que também é hematologista, uma das maiores dificuldades está em localizar o doador cadastrado e prepará-lo para o procedimento do transplante de medula óssea (TMO). “Os doadores precisam estar acessíveis e o processo da reconvocação deve ser ágil para atender a necessidade dos pacientes”. Para tanto, Carmen salienta ser necessário que o Governo invista na manutenção do cadastro de doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Nos E.U.A, a cada 10 doadores cadastrados, apenas metade são encontrados, devido à falta de informação aos doadores para manterem seus cadastros atualizados.
 
Confira grade científica; premiação de trabalhos científicos e informações sobre inscrição em www.abhheventos.com.br/sbtmo2012
Serviço
XVI Congresso da SBTMO
Data: 2 a 5 de agosto
Local: Hotel JP – Ribeirão Preto – SP