Só 10% dos centros de transplante de medula óssea brasileiros mantém bancos de dados atualizados sobre sua atuação
28/08/2017
Bancos de dados com informações sobre pacientes, doenças e doadores são precários no Brasil. Quem afirma isto é o hematologista Nelson Hamerschlak, um dos principais nomes da área e presidente do Congresso da SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea) de 2017. Para o especialista, a criação de banco de dados e profissionais capazes de gerir esses dados poderiam ajudar no tratamento de doenças sanguíneas. “O Centro Internacional de Registros de Transplantes de Medula Óssea recebe dados de apenas 7 dos quase 70 centros de transplantes registrados no País. Nos Estados Unidos e Europa, isso é obrigatório para a obtenção de certificados de qualidade, planejamento, análise de desfechos e produção científica” diz Hamerschlak. No entanto, o médico reconhece o custo elevado para a criação de bancos de dados, mas acredita que apenas isso não basta para elevar a qualidade da saúde no Brasil. “Temos que viver a cultura de boas informações. Os dirigentes desses centros e as autoridades da área se convençam de que isto é importante”. Hamerschlak destaca que um sistema de informação de qualidade “é fundamental para o planejamento adequado na hora de tratar um paciente e oferece a possibilidade do usuário entender onde o procedimento pode ser realizado com maior segurança”. O especialista ressalta ainda que bancos de dados “poderiam auxiliar os centros de estudos brasileiros na produção de conteúdo científico, contribuindo para o desenvolvimento cultural, econômico e social”. Durante o Congresso da SBTMO, a Dra. Janet Brunner-Grady e o Dr Marcelo Pasquini, do Center for International Blood Marrow Transplant Research, terá um painel dedicado ao encontro de gerenciadores de dados. Hamerschlak também debaterá com especialistas e autoridades a importância da coleta de dados científicos.