Avanços no transplante de medula óssea com doadores parcialmente compatíveis oferecem novos tratamentos para pacientes com câncer
10/08/2017
Até poucos anos atrás, encontrar um doador de medula óssea 100% compatível não era tarefa fácil. Segundo o Registro Nacional de Voluntários de Medula Óssea (Redome), as chances de encontrar um doador compatível é de 1 a cada 100 mil pessoas. Porém, com os avanços de novas técnicas e pesquisas sobre histocompatibilidade, é possível realizar transplantes de medula óssea com doadores parcialmente compatíveis, encontrados principalmente em membros da família. Para o hematologista Nelson Hamerschlak, esse tipo de avanço da medicina faz com que “virtualmente, não existe chances de uma pessoa necessitar de um transplante e não possuir doador compatível”, uma vez que o paciente não encontre um doador parcialmente compatível na família, existem 4 milhões de pessoas cadastradas no Redome aptos a doarem. Este procedimento já é bem conhecido em adultos, porém um novo estudo divulgado pela revista Blood, mostrou que crianças com leucemia aguda podem receber transplante haploidênticos, quando o doador é parcialmente compatível, com a mesma segurança que o transplante com doadores totalmente compatíveis. O estudo foi realizado com 80 pacientes e representa uma realidade que pode beneficiar milhares de crianças em todo o mundo. O transplante haploidêntico será tema de abertura do Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea 2017, que debaterá de forma aprofundada o procedimento em comparação com transplantes aparentados e não-aparentados. Para o Dr. Hamerschlak as pesquisas no Brasil estão avançando “o que podemos ponderar é que os resultados obtidos até o momento são promissores”.