Barreiras para realização do transplante de medula óssea no País precisam ser vencidas
17/06/2015
Atualização do registro de doadores de medula e infraestrutura para realização do procedimento são algumas das fragilidades apontadas pela Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea A atualização dos dados cadastrais de potenciais doadores brasileiros de medula óssea tem sido um dos principais desafios à realização dos transplantes de medula óssea. Embora haja atualmente mais de três milhões de pessoas listadas no Registro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), o que coloca o País em terceiro lugar no ranking mundial de base de dados, atrás dos Estados Unidos (sete mi) e Alemanha (seis mi), a entrave consiste na localização destes doadores. De acordo com o Centro de Transplante de Medula Óssea (CEMO) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelo REDOME, a dificuldade está nos dados informados, que geralmente estão desatualizados. Segundo o órgão o percentual de desatualização está em torno de 30% a 35%. Para reverter este cenário o CEMO anunciou no início deste ano a criação de projeto de fidelização de doadores, no qual a pessoa poderá por meio de um site atualizar seus dados, além de obter informações sobre o processo de doação e do procedimento em si. A Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) apoia esta iniciativa e manterá seus estímulos empreendidos junto aos médicos transplantadores e população no sentido de conscientizar quanto a importância de manter o registro sempre atualizado. A entidade esclarece que o doador compatível é peça fundamental para o paciente que necessita de um transplante de medula, opção terapêutica capaz de reverter o prognóstico de pacientes com doenças benignas e malignas (cânceres), como linfomas, leucemias, mieloma múltiplo, síndrome mielodisplásica, tumores sólidos e, até mesmo, doenças autoimunes. Além do Registro Outro desafio, conforme esclarece a SBTMO, vai além do registro e é crucial para o procedimento ser efetivado. Segundo a Sociedade ainda há uma fragilidade no que cabe ao acesso aos leitos para efetivar o procedimento na modalidade “alogênico” – quando o doador é aparentado ou não aparentado. Muitas vezes o paciente encontra o doador compatível, mas não há local para realizar o procedimento. “A fragilidade enfrentada hoje é que o número de pacientes é muito maior em relação à capacidade física instalada no País para a realização desse tipo de procedimento, sem falar na formação e disponibilidade de equipes multiprofissional especializada, fundamental para o sucesso dos transplantes”, avalia a presidente da SBTMO, Lucia Silla. No início de 2015 foi anunciado pelo Ministério da Saúde (MS), o incremento de 230 mil reais no campo do transplante de medula óssea (TMO). A perspectiva é de até 2016 triplicar a capacidade de realizar o procedimento na modalidade alogênico (quando o doador é aparentado ou não aparentado) por meio da criação de novos leitos no País, o que elevaria a oferta atual de 88 para 250 leitos. Lucia avalia que a medida é positiva e resultado de uma reivindicação já antiga da Sociedade, em defesa dos transplantadores e pacientes, que têm lutado nos últimos dois anos pela criação de mecanismos de aumento da capacidade física de transplantar no País. Entretanto, a presidente da entidade reforça que ainda é necessário estabelecer um processo de manutenção da qualificação dos serviços e equipes de transplante para atender à demanda gerada. Por ser um procedimento de alta complexidade, é preciso ainda que haja uma definição quanto ao ressarcimento dos centros transplantadores que realizarem o TMO alogênico. “Esperamos que este incremento contribua com a mudança do cenário fragilizado do acesso aos leitos. Muitas vezes o paciente encontra o doador compatível, mas não há local para realizar o transplante”, relata Lúcia.