Transplante de Células-Tronco é incluído como opção terapêutica para Doença Falciforme
01/07/2015
Com portaria publicada em 1 de julho de 2015 no Diário Oficial da União, medida beneficiará os brasileiros portadores da doença em estágio grave O transplante de células-tronco hematopoieticas (TCTH), que já beneficia pacientes com doenças oncohematológicas como linfomas, leucemias e mielomas, passou a integrar o rol de procedimentos indicados como opção terapêutica nos casos graves de doença falciforme, a doença hereditária mais prevalente no Brasil. É o que determina portaria nº 571, publicada em 1 de julho de 2015, no Diário Oficial da União (D.O.U.). “Hoje o transplante é o único com possibilidade de cura”, esclarece a hematologista e membro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Belinda P. Simões. Ela, que é pesquisadora da USP-Ribeirão Preto e atua no campo da falciforme, explica que “é consolidado que a sobrevida é de 95% em pacientes com anemia falciforme já submetidos a transplante”. Estima-se que 60 a 80 casos por ano poderão ser atendidos. De acordo com a portaria serão indicados ao transplante os casos mais graves, como quem tem lesão cerebral ou risco de ter devido à doença, ou quem sofra com constantes crises de priapismo (ereções prolongadas e dolorosas), por exemplo. O tratamento clínico da doença, até então disponível no Brasil, consiste no uso da hidroxiureia para controlar os sintomas com ou sem transfusões de sangue, o que pode levar a uma sobrecarga de ferro no organismo. Com o transplante, as células doentes são substituídas, evitando expor o paciente aos riscos de transfusões contínuas. “Com o transplante, as células doentes são substituídas, evitando expor o paciente aos riscos de transfusões contínuas”, relata Belinda. Incidência da Falciforme no País Hoje, estima-se que um total de 300 mil crianças/ano nascidas com a doença no mundo, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, dados divulgados pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde, apontam que nascem por ano aproximadamente 3.500 crianças portadoras de doença falciforme e 200 mil com traço falciforme (assintomático). A falciforme é mais comum em afrodescendentes, mas sendo o Brasil um país miscigenado, a doença se tornou um problema de saúde pública, sendo os estados com maior número de casos Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A doença se manifesta nos seis meses de vida do bebê sendo a principal forma de diagnosticá-la o “Teste do Pezinho”. Atualmente, dos 27 Estados brasileiros, apenas 17 realizam este tipo de exame logo após o nascimento.