Transplante de células-tronco aumenta sobrevida de idosos com mieloma múltiplo, aponta estudo
24/08/2015
Publicado no BMT/Nature, pesquisa aponta novo norte no tratamento de tipo de câncer no sangue que incide mais em pessoas acima dos 65 anos O transplante de células-tronco hematopoiética autólogo (TCTHauto) para pacientes idosos com mieloma múltiplo é seguro e eficaz no que cabe a sobrevida global desta população. É o que apontou um estudo publicado no BMT, periódico da Nature, no dia 11 de maio – “High-dose therapy and autologous stem cell transplant in older adults with multiple Myeloma”. Pesquisadores da Universidade de Medicina de Washington (St. Louis) analisaram por meio de estudo de corte retrospectivo a viabilidade do procedimento como alternativa terapêutica para pessoas com mais de 65 anos de idade, sendo a faixa etária responsável por dois terços dos casos que recorrem da doença em adultos mais velhos. Foram identificados 146 pacientes com idade entre 65-77 com MM recém-diagnosticado pela Universidade, no período de dez anos, de 2000 a 2010. Destes 62 pacientes foram submetidos ao procedimento (N = 62) versus 84 não submetidos. O TCTHauto foi associado à quimioterapia de altas doses. A idade média foi de 68 anos (variação 65-77). Eventos de comorbidades não diferiram significativamente entre os dois grupos. Constatou-se que a sobrevida global foi significativamente maior nos pacientes que foram submetidos ao TCTHalo do que em relação àqueles que não fizeram. A mediana do primeiro grupo foi de 56 meses enquanto no segundo grupo chegou a 33,1 meses. Segundo os autores havia na literatura apenas estudos randomizados de TCTH em que os pacientes com mais de 65 anos de idade com mieloma eram excluídos, o que deixava ainda pouco claras as perspectivas desta terapêutica neste grupo. Depois de controlar o status de desempenho do procedimento, a comorbidade, entre outros aspectos, a razão de risco para morte em pacientes submetidos ao procedimento foi de 52%. Há alguns anos o TCTHauto vem se consolidando como potencial terapêutica nos casos de MM e este estudo avaliou o impacto na sobrevida global. A análise multivariada confirmou a vantagem com ASCT. Ainda segundo os autores da pesquisa esta descoberta suporta o potencial dos procedimentos idosos com MM que sejam considerados elegíveis para esta opção de tratamento. Para eles, estudos futuros devem se concentrar em prospectivamente incorporar mais detalhes sobre as características da doença, estado funcional, e outros parâmetros de avaliação geriátrica, para esclarecer ainda mais o impacto do TCTHalo nesta população. Análise da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) – Parecer sobre o estudo e panorama Brasil De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Lúcia Silla, até por volta de 2013 a idade avançada era um critério de risco, sendo apenas candidatos ao transplante de células-tronco pacientes com idade inferior, o que restringia as possibilidades de tratamento. “A população brasileira e do mundo está envelhecendo e nós, como especialistas, temos de encarar esta nova realidade, ainda mais sendo este paciente de risco”, relata a presidente da SBTMO, Lúcia Silla. Para a transplantadora, esta mudança de paradigma de ampliar a faixa etária elegível ao TCTH já é uma realidade no mundo como tratamento para leucemia, linfoma e síndrome mielodisplásica (SMD), cânceres comuns nesta população. Lucia avalia que a terapia abre novos horizontes no campo da onco-hematologia, sobretudo, frente à inversão da pirâmide etária, na qual o número de idosos até 2020 irá superar o de jovens. Para se ter uma ideia, levantamento de dezembro de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) verificou que o brasileiro vive, em média, 74,6 anos. Lúcia ressalta ainda que para este grupo é possível recorrer a baixas doses de quimioterapia e radioterapia, a fim de reduzir a toxicidade do tratamento. Hoje, no Brasil o sistema público de saúde tem indicativo para pacientes entre 55 e 65 anos, estando fora ainda aqueles com idade superior a 70 anos. Modalidades do Transplante: O transplante pode ser feito de três formas: autogênico (autólogo), quando a medula ou as células são do próprio transplantado; alogênico, utiliza a medula óssea ou célula-tronco de um doador para um paciente; e o singênico, em que o doador é um irmão gêmeo. O transplante autogênico é designado a alguns tipos de doenças, principalmente as que não atingem a medula óssea ou em que é possível se separar a célula doente da célula sadia. Nesse caso se retira a medula, a armazena, e se trata o paciente com quimioterapia ou radioterapia para eliminar a doença. Às vezes é necessário também tratar a própria medula óssea que foi retirada para separar as células malignas das células benignas. As indicações clássicas dos TMOs autogênico são o mieloma múltiplo, linfomas e tumores sólidos.