Transplante em idosos com mais de 70 anos é realidade no Brasil e no mundo
19/02/2014

 Pesquisas apontam para segurança e eficácia de procedimento em pacientes com idade avançada

O transplante de células tronco hematopoiéticas para pacientes idosos com leucemia, linfoma e síndrome mielodisplásica (SMD), cânceres comuns nesta população, é seguro e eficaz. A perspectiva foi constatada com base em estudos recentes, sendo o último publicado no final de 2013* no periódico “Biol Blood Marrow Transplant.” da Sociedade Americana de Transplante de Medula Óssea (ASBMT, na sigla em inglês). Nele pesquisadores analisaram a viabilidade do procedimento como alternativa terapêutica para pessoas com mais de 70 anos de idade.

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Lúcia Silla, antes da pesquisa a idade avançada era um critério de risco, sendo apenas candidatos ao transplante pacientes com idade inferior, o que restringia as possibilidades de tratamento. “A população brasileira e do mundo está envelhecendo e nós, como especialistas, temos de encarar esta nova realidade, ainda mais sendo este paciente de risco”, relata a presidente da SBTMO, Lúcia Silla.

Para a transplantadora, esta mudança de paradigma abre novos horizontes no campo da onco-hematologia, sobretudo, frente à inversão da pirâmide etária, na qual o número de idosos até 2020 irá superar o de jovens. Para se ter uma ideia, levantamento de dezembro de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) verificou que o brasileiro vive, em média, 74,6 anos. Lúcia ressalta ainda que para este grupo é possível recorrer a baixas doses de quimioterapia e radioterapia, a fim de reduzir a toxicidade do tratamento.

No Brasil o sistema público de saúde tem indicativo para pacientes entre 55 e 65 anos, estando fora aqueles com idade superior a 70 anos.