Pesquisadores publicam estudo sobre ranking de risco no pós transplante de células-tronco hematopoieticas no Brasil
19/02/2014

Avaliação valida no País escore do European Bone Marrow Transplantation (EBMTP), responsável por classificar riscos de pacientes submetidos a trasplante de células tronco hematopoiéticas alogênico

Com o objetivo de validar a aplicabilidade do escore europeu de risco EBMT (European Bone Marrow Transplantation) para o de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) alogênico em pacientes brasileiros com doenças hematológicas adquiridas, pesquisadores realizaram no Sul do país um estudo retrospectivo observacional. 

De acordo com Lúcia Silla, autora da pesquisa e presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), o TCTH alogênico ainda está associado a uma alta taxa de mortalidade relacionada ao transplante. “O escore de risco EBMT pode ser utilizado como uma ferramenta para a tomada de decisão clínica antes de transplante alogênico para doenças hematológicas malignas e anemia aplástica grave”, relata Lúcia. 

Neste estudo recente, foram avaliados 278 pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com base nos registros de pacientes submetidos a transplante de células-tronco hematopoieticas por um período de 16 anos, entre 1994 e 2010. Destes 156 eram do sexo masculino (56%), com uma idade mediana de 32 anos, variando de 1 a 57 anos. Cinqüenta e nove pacientes tiveram leucemia mielóide aguda (LMA), 48 leucemia linfóide aguda (LLA), 16 síndrome mielodisplásica (SMD), 76 leucemia mieloide crônica (LMC), 27 doenças linfoproliferativas, 1 mieloma múltiplo (MM) e 51 com anemia aplástica severa (AAS).

A maioria dos procedimentos (238) foram realizados com irmão HLA idêntico e 40 com doadores não aparentados. A medula óssea foi a fonte de células-tronco em 220 casos, sangue periférico em 52, e sangue do cordão umbilical em seis  pacientes. De todo o grupo de pacientes, 241 foram submetidos a terapia mieloablativa e 37 a de intensidade reduzida. A maioria dos transplantes foram realizados na fase precoce da doença (175 pacientes, 62,9%) porém com mais de 12 meses a partir do diagnóstico. As somas de pontos da contagem de risco foram 2 e 3 para a maioria dos pacientes (138 pacientes, 49,6%) e a Mortalidade Relacionada ao Transplante aumentou de 13.6% para o score 0 a 80% para o score 6.

Os autores concluem que a estratificação de risco sugerida paelo EBMT pode ser utilizada como um instrumento para a tomada de decisões em um único centro no Brasil.

Validation of the EBMT Risk Score for South Brazilian Patients Submitted to Allogeneic Hematopoietic Stem Cell Transplantation” foi publicado em dezembro de 2013 no Bone Marrow Transplantation Research Journal. Acesse o artigo na íntegra

Sobre o Transplante de Células-Tronco Hematopoieticas Alogênico

O transplante de células tronco-hematopoiéticas (TCTH) é uma terapia potencialmente curativa para uma variedade de doenças hematológicas malignas e benignas. O transplante alogênico possui duas modalidades: aparentado, quando o doador é irmão ou parente próximo compatível com o paciente; e não-aparentado, ou seja, voluntários sem vínculo sanguíneo com o paciente, inscritos no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME) ou de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário públicos (BSCUP). Atualmente, as doenças que mais exigem transplante alogênico são as leucemias agudas, tanto a linfoblástica (na qual as células precursoras dos linfócitos tornam-se cancerosas e substituem rapidamente as células normais da medula óssea) quanto a mieloblástica (na qual as células precursoras dos granulócitos, tornam-se cancerosas e, também, rapidamente substituem as células normais na medula óssea).