Farmanguinhos/Fiocruz produzirá imunossupressor para rejeição de órgãos transplantados
27/03/2012

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e o laboratório nacional Libbs Farmacêutica anunciaram na terça-feira,  20/3, o início da distribuição de mais 6,6 milhões de cápsulas do Tacrolimo na apresentação de 1mg. O medicamento é usado para evitar rejeição de transplantes de rins e fígados. Farmanguinhos adquiriu a tecnologia da Libbs, num acordo que prevê também o fornecimento do insumo farmacêutico ativo , permitindo assim o domínio de nosso país de toda a cadeia produtiva. O processo de transferência da tecnologia tem duração de cinco anos e, ao longo desse período, estima-se uma economia de R$ 240 milhões para os cofres públicos. Além disso, a iniciativa faz parte da estratégia nacional de fortalecimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde, por meio da Política de Desenvolvimento Produtivo, do governo federal.

O Tacrolimo é um imunossupressor que diminui a atividade do sistema imunológico, efeito necessário para contornar a rejeição do organismo do paciente ao órgão transplantado, garantindo o sucesso do procedimento. Esse medicamento consta na lista de produtos estratégicos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo a Portaria 978/2008 do Ministério da Saúde (atualizada pela Portaria 1.284/2010).

O produto será distribuído aos transplantados, por meio do SUS em todo o Brasil. Até o final de 2012, o acordo entre Libbs, Farmanguinhos/Fiocruz e Ministério da Saúde prevê a distribuição de 30 milhões de unidades do Tacrolimo, beneficiando mais de 25 mil brasileiros que utilizam o medicamento. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Brasil realizou, em 2011, 4.957 transplantes de rim e 1.492 de fígado.

Segundo o diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe, a iniciativa fortalecerá as indústrias farmacêuticas e farmoquímicas nacionais. “Além disso, ao ser fabricado totalmente em território nacional, contribui para reduzir o desequilíbrio da balança comercial. Nosso objetivo é preencher uma lacuna, ou seja, produzir o medicamento com qualidade e com menos recursos”, afirma o diretor. Com a produção do Tacrolimo, destaca Hayne, espera-se ampliar o acesso a todos os pacientes que necessitam do medicamento, caso haja demanda reprimida, em função da economia gerada. Por outro lado, o fato de ser produzido por um laboratório público garante o abastecimento da rede pública de saúde.

Fonte: Farmanguinhos / Fiocruz  | Foto: Peter Ilicciev