Curitiba recebe banco público de sangue do cordão umbilical e amplia oferta de transplantes de medula óssea
22/12/2011

Diversificar o material genético disponível para transplantes de medula óssea e facilitar a localização de doadores compatíveis em todo o território nacional. Esse é o objetivo da Rede BrasilCord de bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário, que inaugura, nesta terça-feira (20), às 10h, no Hospital de Clínicas de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a sua décima-segunda unidade.

Atualmente, a população brasileira já conta com outros 11 bancos públicos de sangue de cordão umbilical (quatro em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, um em Santa Catarina, um no Ceará, um em Belém, um Porto Alegre e um em Recife). O Banco vai coletar, testar, processar, armazenar e liberar células-tronco para a realização de transplantes de medula óssea para quem não dispõe de um doador aparentado (ou seja, na própria família), situação de cerca de 1.000 pacientes no Brasil.

O coordenador da Rede BrasilCord e diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Luis Fernando Bouzas, explica que os brasileiros apresentam características genéticas muito específicas, devido à vasta miscigenação da população. “A Rede BrasilCord é uma estratégia para facilitar as buscas de material para transplante de medula óssea. Contemplar as regiões brasileiras com bancos públicos só amplia as possibilidades dos pacientes que aguardam por um doador compatível”, afirma Bouzas.

O programa de implantação dos bancos de sangue de cordão umbilical é feito por meio de parceria entre a Fundação do Câncer, responsável pela gestão financeira e administrativa do projeto, e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). “Como previsto no programa de implantação dos bancos públicos, o de Curitiba entra em funcionamento para fechar o ano”, diz o superintendente da Fundação do Câncer, Jorge Alexandre Cruz.

O diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini, aponta a importância da inovação tecnológica que representam os bancos de sangue do cordão umbilical hoje. “O principal objetivo é enriquecer a rede de transplante de medula com informações genéticas que são características desta região do País”, observa.

Como os demais bancos inaugurados no país, o do Hospital de Clinicas, em Curitiba, também contou com o financiamento viabilizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria firmada no ano de 2008. O banco de Curitiba recebeu investimento de cerca de R$ 3,5 milhões. As obras do último banco da fase de expansão da Rede, o de Belo Horizonte, só terminam em 2012. Mas o BNDES já aceitou o projeto de uma nova fase de ampliação da BrasilCord, na qual seriam criados mais quatro bancos públicos em Manaus (AM), São Luís (MA), Campo Grande (MS) e Salvador (BA). Totalizando 75 mil unidades.

Atualmente, o país conta com cerca de 12.000 unidades de cordão armazenadas, 123 já foram utilizadas em transplantes. O banco público de Curitiba, construído nos mesmos moldes dos demais da rede, pode armazenar 3.600 bolsas de sangue de cordão. Criada em 2004, a Rede BrasilCord hoje é abastecida com material genético de todas as regiões do país. A meta é que essas unidades de cordão, somadas aos doadores voluntários de medula óssea, atendam toda a demanda de transplante de medula do Brasil. 

Fonte: INCA