Pesquisa mostra benefícios do TCTH para tratamento de esclerose múltipla
10/10/2018

Pesquisadores de quatro países, incluindo o Brasil, concluíram que o transplante de células-tronco (TCTH) autólogo para combater a esclerose múltipla é mais eficaz do que as drogas disponíveis no mercado. O estudo, feito em parceria com os Estados Unidos, Inglaterra e Suécia, foi apresentado em Portugal durante o encontro anual da European Society for Bloodand Marrow Transplantation, em março.

A pesquisa foi feita com 110 pacientes, sendo que 55 foram transplantados e 55 receberam tratamento com drogas convencionais. No grupo que passou pelo transplante de medula óssea, apenas três (6%) tiveram recaída, enquanto que no outro grupo 33 (60%) não obtiveram recidivada.   

Há 16 anos o Hospital das Clínicas da FMRP-USP realiza o transplante para esclerose com recursos de pesquisas, uma vez que o Sistema Único de Saúde cobre este tipo de procedimento. Anualmente são realizados 90 transplantes e 60 pacientes apresentam alguma melhora da doença.

Segundo a professora Maria Carolina de Oliveira, da Divisão de Imunologia Clínica do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, “deste total, metade manteve a doença controlada e na outra metade houve progressão ao longo do tempo. Isso porque a maioria desses pacientes foi transplantada na fase tardia, já degenerativa da doença. O transplante funciona melhor nas fases mais precoces, inflamatórias da doença”.

A doença

A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune. As células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares que provocam o surgimento de fadiga, alterações fonoaudiológicas, perda do equilíbrio e coordenação, rigidez dos membros e transtornos visuais, cognitivos e emocionais. O Hospital das Clínicas atende cerca de 600 pacientes com esclerose múltipla.