O que a SBTMO espera do próximo presidente
05/10/2018

O jornal Folha de S. Paulo publicou no dia 17 de setembro a matéria “Saúde tem propostas genéricas dos principais candidatos à Presidência”, em que faz uma análise das propostas dos 13 candidatos para a área da saúde. A conclusão da reportagem é preocupante: por mais que seja uma das principais prioridades dos brasileiros, a saúde não ocupa lugar central nos planos de governo dos candidatos à Presidência. A Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea demonstra preocupação diante das ideias genéricas e que, associadas ao contexto econômico de cortes, possam comprometer ainda mais o Sistema Único de Saúde.

A SBTMO considera a rede pública como vital para o tratamento de pacientes que necessitem de transplante de medula óssea e outros tipos de tratamento contra o câncer no país. A entidade também defende uma maior integração entre a rede pública e privada para que atuem de forma conjunta a fim reduzir a fila do transplante de medula óssea no país, assim como uma melhor remuneração pelos procedimentos o que tem gerado falta de leitos disponíveis.

Espera-se que o próximo governante do Brasil esteja comprometido com a manutenção e aprimoramento do SUS, além de buscar novas fontes de receitas para a saúde pública para que o cidadão, especialmente os mais necessitados, tenham acessa à uma saúde de qualidade e tratamentos adequados independente da patologia.

Atualmente os pacientes oncológicos, especialmente os de doenças hematológicas, vivem sob medo constante de não concluírem seus tratamentos devido ao desabastecimento de remédios que já estão disponíveis no mercado nacional, como a carmustina, melfalano e mitoxantrone, usados para o tratamento de linfoma de Hodgkin e não Hodgkin, mieloma múltiplo e leucemias, respectivamente. Preocupa-se também com a qualidade dos produtos disponíveis como ficou demonstrada frente a polêmica junto a um produto de Asparaginase chinesa

Em fevereiro deste ano a SBTMO, em conjunto com a Abrale, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), assinou uma carta aberta pedindo maior empenho do governo, indústrias farmacêuticas, sociedades médicas e sociedade civil para que sejam tomadas medidas efetivas contra a falta de tais medicamentos.

Preocupa também o acesso a pacientes do SUS a medicamentos e procedimentos de alta tecnologia disponíveis no Brasil com evidência científica incontestável, mas não disponíveis para os usuários do sistema público de saúde.

Em 2018 o SUS completa 30 anos de existência e a SBTMO espera que o próximo presidente lute para a defesa deste bem de todos os brasileiros e ajude milhares de pacientes oncológicos, em especial os que necessitam de um transplante de medula óssea, a terem um tratamento digno e de qualidade.