Congresso da SBTMO chega ao fim com debate sobre políticas públicas e incorporação de tecnologias no SUS
04/08/2018

Terminou hoje, 4, o XXII Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, realizado na cidade do Rio de Janeiro, com a participação de mais de mil congressistas e 26 convidados internacionais. O presidente do Congresso, Dr. Luís Fernando Bouzas, agradeceu a presença de todos os participantes e ressaltou a qualidade dos trabalhos apresentados durante os últimos três dias. Bouzas também aproveitou a oportunidade para convidar todos os presentes para o próximo Congresso da SBTMO, que será realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2019 em Brasília, no Distrito Federal.

O dia começou com a reunião do Grupo de Estudos da DECH e outras Complicações (GEDECO), liderado pela brasileira e especialista em DECH pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center, Dra. Mary Flowers, e pelo atual vice-presidente da SBTMO e médico na unidade de TCTH do Hospital de Clínicas de Campinas, Dr. Afonso Vigorito. A reunião teve o intuito de auxiliar pesquisadores brasileiros sobre a melhor forma de conduzir estudos científicos na área de transplantes haploidênticos no país.

Em sequência, houve o painel “políticas públicas, o SUS e incorporação tecnológica”, apresentado pelo Dr. Carmino Antônio de Souza, Dr. Luiz Antônio Santini, Dra. Paula Sue de Siqueira, Dr. Nelson Hamerschlak e Nilva Bortoleto. O debate foi centrado nas novas terapias disponíveis no mercado, gestão de recursos e os aspectos jurídicos, entre outros. Dr. Carmino ressaltou a importância da aplicação de pesquisas científicas na saúde pública a fim de melhorar a qualidade do serviço e otimizar os gastos com saúde.

Hamerschlak, que assumiu a presidência da SBTMO na noite anterior, falou sobre a importância do SUS para toda a população brasileira, inclusive os usuários da saúde suplementar. Para o especialista e coordenador do Departamento de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein, a rede pública e privada deveriam atuar de forma conjunta para reduzir a fila do transplante de medula óssea no país. Além da incorporação de novas drogas, Nelson chamou a atenção para o desabastecimento de remédios que já estão disponíveis no mercado nacional e que são essenciais para o tratamento de milhares de pacientes com leucemia, linfomas e mieloma, entre outras doenças.

Seguindo a linha de desabastecimento para pacientes transplantados e onco-hematológicos, Nilva Bortoleto, consultora da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, mostrou em sua apresentação que a principal causa de judicialização de medicamentos são de drogas aprovados pela ANVISA antes de 2010, contrariando o senso comum de que novos medicamentes ou drogas sem registros seriam os principais responsáveis pela judicialização. Os gastos com processos de drogas aprovadas antes de 2010 representa 71% do custo total das judicializações de drogas oncológicas.

Em fevereiro deste ano a SBTMO, em conjunto com a Abrale, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), assinou uma carta aberta pedindo maior empenho do governo, indústrias farmacêuticas, sociedades especializadas e sociedade civil para que sejam tomadas medidas efetivas contra a falta de tais medicamentos.

Na parte da tarde houve o encerramento do XVIII Encontro de Histocompatibilidade e Imunogenética e entrega do prêmio José Roberto Moraes para o melhor trabalho de Histocompatibilidade e Imunogenética. O vencedor foi o Dr. Alberto de Lima com a pesquisa “Cryptic sensitization against HLA-DP and primary boné marrow graft failure – a case report”.

O Congresso da SBTMO se encerrou no início da noite após apresentação dos trabalhos científicos e premiação nas categorias Fani Job, para melhor trabalho multidisciplinar; Ricardo Pasquini, para jovens investigadores; Mary Flowers, para melhor trabalho em transplante alogênico; e Júlio Voltarelli, para melhor trabalho na área de TMO.