Artigo Nelson Hamerschlak: XII Simpósio Internacional de Hemoterapia e Terapia celular e I Fórum Internacional de Terapia Celular
10/04/2018

Entre os dias 5 a 7 de abril de 2018 foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein o XII Simpósio Internacional de Hemoterapia e Terapia celular e I Fórum Internacional de Terapia Celular. Especialistas do Brasil e de diversos países estiveram presentes para debater avanços na área. Destaque para excelente discussão sobre normatização, procedimentos em onco-hematologia, terapia gênica, oncologia geral e medicina regenerativa.

Os tópicos mais relevantes:

- Tratamento de doenças refratárias com "Car T cells",  células NK, "Car NK cells"
- Recidiva pós transplante com o uso de linfócitos do doador,  "Car T cells" e células NK
- Tratamento de viroses em pacientes imunocomprometidos com infusão de linfócitos do doador ou terapia adotiva com células T sensibilizadas para vírus como citomegalovírus, adenovirus, JC vírus, Epstein Bar vírus e BK vírus.
- Manuseio da doença do enxerto em hospedeiro refratária com células T regulatórias ou com células mesenquimais

O primeiro relato de uso de "Car T cells" foi em 2011, no New England Journal of Medicine, pelo grupo da Universidade da Pensilvânia em Leucemia Linfocítica Crônica com respostas excelentes e sustentadas. Esta tecnologia ganhou grande espaço após mostrar resultados excelentes com mais de 90% de remissões completas em crianças com Leucemia Linfocítica Aguda Refratária. Seu uso também vem sendo testado em inúmeras doenças, mas ganha destaque também nos Linfomas agressivos refratários com respostas em 50% dos casos. Por este motivo, o Food and Drug Administration (FDA) liberou o uso de dois produtos para uso clínico para estas indicações pela Norvatis e pela Gilead. Esta terapia não é isenta de riscos e muitos pacientes podem apresentar condições clínicas que podem gerar cuidados em Unidades de Terapia Intensiva, como é o caso da síndrome de liberação de citocinas e alterações neurológicas.

O MD Anderson, centro referência nos EUA para o combate ao câncer, vem desenvolvendo um programa utilizando células NK no lugar das células T. Os resultados parecem animadores no controle de doentes graves e com menos efeitos adversos. As células NK (Natural Killer) são utilizadas no manuseio de várias doenças, mas destacamos seus excelentes resultados em conjunto com transplante autólogo em Mieloma Múltiplo, Leucemia Mileoide Aguda e Mielodisplasias. Pode ser usada de forma isolada ou em conjunto com transplantes autólogo, alogênicos e principalmente haploidênticos.

Infusões de linfócitos de doadores podem ser utilizadas nas recidivas pós-transplantes de medula óssea e no controle de viroses refratárias. Funciona melhor nas doenças mioleiras que nas linfoides e quando são utilizadas pós uso de agentes hipometilantes e/ou quimioterapia com controle das doenças tem melhores resultados.

A experiência é excelente e os pacientes que respondem acabam por controlar sua doença em longo prazo. Especial capítulo nesta área é a dose de células que não deve ser muito grande para não aumentar significativamente o risco de doença do enxerto vs hospedeiro grave.

Com relação aos linfócitos citotóxicos para vírus, destacam-se várias iniciativas, mas talvez as mais emblemáticas sejam do MD Anderson Cancer Center para CMV e BK virus e a da Baylor University com um painel voltado a 4 virus: CMV, EBV, ADV e BK. Os resultados são impressionantes com controle da doença em mais de 80% dos casos mesmo após falha de anti-virais.

Finalmente, terapia celular com o uso de células T regulatórias e mesenquimais podem ser usadas no controle da doença do enxerto vs hospedeiro no entanto, estudos randomizados ainda são necessários para realmente afirmar sua eficácia.

Terapia genética para anemia falciforme teve destaque importante no evento e acreditamos que esta técnica veio para ficar e será uma excelente arma para ajudar este número expressivo de pacientes em todo mundo.

Os estudos de Dra. Joanne Kurtzberg, da Duke University, usando infusões de cordão umbilical em pacientes com paralisia cerebral e autistas, tem resultados surpreendentes que precisam ser consolidados, mas demonstra uma nova aplicabilidade pelo sangue de cordão também altamente discutido como fonte de transplantes e ainda se mantendo como excelente arma no tratamento da leucemia infantil.