Recomendações sobre a vacinação contra a febre amarela em pacientes oncohematologicos e receptores de TCTH
31/01/2018

A Febre Amarela (FA) é uma arbovirose febril aguda, geralmente grave, causada pelo vírus da febre amarela, gênero Flavivirus, família Flaviviridae. O vírus é mantido na natureza por transmissão entre primatas não-humanos (macacos) e mosquitos silvestres arbóreos, em três tipos de ciclo de transmissão: silvestre, savana e urbano.

No Brasil, os mosquitos transmissores da FA silvestre são principalmente do gênero Haemagogus e Sabethes, e na África do gênero Aedes (Stegomyia). O homem pode eventualmente se infectar ao entrar na mata ou regiões próximas, por trabalho ou turismo. A FA silvestre é endêmica na região amazônica, podendo ocasionalmente ocorrer em surtos epidêmicos em outras regiões.

Na FA urbana, mosquitos do gênero Aedes podem se infectar ao picar uma pessoa com febre amarela silvestre, e passar a transmitir a doença nas cidades, sem o ciclo nos macacos. A vacinação em massa em 1937, acompanhada de intensa campanha de extinção do vetor, levaram a erradicação da FA urbana no Brasil a partir de 1942.

A Febre Amarela tem ocorrência sazonal, com maior número de casos ocorrendo entre dezembro e maio, quando o vírus encontra condições favoráveis para transmissão: temperaturas elevadas e maior pluviosidade. Nesse período, um número maior de macacos adoece e morre em decorrência da febre amarela, caracterizando uma epizootia e determinando a necessidade de intensificação de vacinação nos moradores das regiões afetadas. Assim, a morte de macacos com febre amarela é um “evento sentinela”, alertando os serviços de saúde para as medidas cabíveis.

Até o momento, não há tratamento específico para a febre amarela e a vacinação é o modo mais eficiente de controle da transmissão e do adoecimento. Recentemente, frente ao avanço da Febre Amarela em regiões não-endêmicas e próximas a grandes centros urbanos, fez-se necessária a expansão da área de indicação da vacinação. Sendo uma vacina de vírus vivos atenuados, há restrições com relação ao seu uso em pacientes imunocomprometidos e em determinadas condições clínicas. Nessas situações o risco de eventos adversos da vacina é maior.

Os eventos adversos graves da vacina de FA são raros, mas podem apresentar alto índice de letalidade (até 40-60%). São considerados eventos adversos graves a reação de hipersensibilidade (1,9 a 7,7 por milhão de doses), o choque anafilático (0,2 por milhão de doses), a doença neurológica (0,04 a 1 por milhão de doses) e a doença viscerotrópica aguda (0,19 a 5 por milhão de doses).

ORIENTAÇÕES PARA A VACINAÇÃO CONTRA A FEBRE AMARELA

ORIENTAÇÃO PARA FAMILIARES E DOADORES

O vírus atenuado da vacina de FA não é excretado em fluidos corporais, com exceção de leite materno. Assim, não existe necessidade de afastamento de familiar vacinado do contato com pacientes. Mulheres amamentando não devem receber a vacina. Caso sejam vacinadas, devem suspender a amamentação por 10 dias após a vacinação.
O vírus pode circular no sangue da pessoa vacinada até 15 dias (se primeira vez que toma a vacina) ou menos de 5 dias (se revacinação). Portanto, é muito importante que doadores sejam indagados sobre vacinação contra a FA na avaliação pré-TMO. O prazo recomendado após a vacinação para a coleta de células tronco-hematopoiéticas é de 30 dias.

A partir de fevereiro de 2018, a vacina da FA será de dose fracionada. Até o presente momento, as informações científicas disponíveis indicam que a imunogenicidade desta vacina é igual a da vacina anteriormente disponível, porém com menor duração da imunidade induzida, sendo necessária dose de reforço após 8 anos.