Mortalidade por anemia falciforme no Rio de Janeiro é maior que em países desenvolvidos, conclui estudo
24/01/2018

O estudo “Mortality in children, adolescents and adults with sickle cell anemia in Rio de Janeiro, Brazil”, publicado na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (RBHH), analisou as causas de óbitos de pacientes com anemia falciforme durante 15 anos. A análise foi realizada no Hemorio, localizado na capital fluminense, e comparou com dados disponíveis sobre a doença no Brasil.

A pesquisa concluiu que as taxas de mortalidade em crianças e adultos com anemia falciforme é maior que em países do hemisfério norte. Ao todo, foram analisados 1.676 pacientes, com 281 mortes entre 1998 e 2012.  A taxa de mortalidade em pessoas acima de 18 anos foi de 18,87%, contra 10,48% em crianças ou jovens entre 0 e 17 anos de idade. As principais causas de morte foram infecção, síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral, dano orgânico e morte súbita durante crises dolorosas.
 
A Dra. Belinda Simões, vice-presidente da SBTMO, chama a atenção para o pico de mortalidade em pacientes aos 18 anos. “A alegação sempre foi de que isso se devia ao fato dos pacientes serem transferidos de centros pediátricos para centros de adultos, o que não aconteceu neste caso”. Durante o estudo os pacientes foram tratados do nascimento ao óbito pela mesma equipe.

Os autores da pesquisa também apontam que o programa de triagem neonatal para verificar a existência de Doenças Falciformes é importante, porém não é suficiente para diminuir a mortalidade nos pacientes com DF.

Segundo Belinda, o Brasil possui um dos maiores programas de assistência aos portadores de doenças falciformes, que vai desde a triagem neonatal até o transplante de medula óssea. Apesar disso, a especialista aponta que ainda falta acesso a todos os pacientes. “Falta os portadores terem acesso a todas essas opções, assim como falta informação aos médicos e à população em geral de como usufruir dessa estrutura”, conclui Belinda.