SBTMO participa de Jornada de Atualização em TCTH do INCA em junho
26/07/2016

A evolução do Redome/Rereme e o panorama do transplante de células-tronco no Brasil – avanços e desafios - foram alguns dos aspectos abordados nas atividades. O diretor-geral do INCA e coordenador do Redome, Luis Fernando Bouzas, mostrou que o Brasil tem hoje 85 Centros de TCTH, 80% deles públlicos, com 380 leitos disponíveis. Ao redor de 30 mil transplantes já foram realizados em nosso país desde 1979. Hoje fazemos ao redor de 2.500 transplantes autólogos e alogênicos por ano. Em 2015, foram realizados 299 transplantes de doadores não aparentados.

Durante o evento, foi celebrado o marco alcançado de 4 milhões de doadores cadastrados no Redome, que continua o terceiro maior banco do mundo, atrás somente do americano - que tem mais de 7 milhões de doadores cadastrados, e do alemão, com 6 milhões. Os registros comunicam-se na busca de doadores, dispondo hoje de mais de 26 milhões de doadores voluntários. O número de doadores voluntários continua aumentando anualmente. Só em 2015 foram incluídos 340 mil novos doadores no Redome. No Brasil, há ainda 13 Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical em atividade na Rede BrasilCord com 20 mil unidades disponíveis para transplante.

A equipe do Redome apresentou como o Registro tem operado: o numero de pacientes incluídos na busca de doador vem crescendo ano a ano; foram mais de 1.400 buscas em 2015. Metade dos pacientes tem o diagnóstico de leucemia. Até Maio de 2016, haviam 345 pacientes com doador confirmado aguardando transplante.Um dado inédito e muito importante é que hoje mais de 80% dos pacientes de qualquer etnicidade encontra doador voluntário no Brasil com pelo menos um alelo incompatível (9x10) e ao redor de metade deles tem um doador idêntico (10x10) - às vezes vários doadores idênticos. Com o crescimento "espontâneo" do Redome aumentamos muito os mesmos haplótipos que já estão representados, enquanto tipagens HLA raras, não. Assim, o Redome considera muito importante o direcionamento de cadastro de pessoas menos representadas no registro, principalmente não brancos.

Se dobrássemos o número de doadores no Redome não chegaríamos a dar nem 10% de chance a mais de encontrar um doador voluntário - e esta probabilidade nunca chegaria a 100%! Quando se acrescenta a este cenário a possibilidade de se fazer um TCTH aparentado haploidêntico, não ficaria ninguém sem doador.

O tempo dispendido na busca por um doador compatível diminuiu significativamente. Em poucos dias os médicos já sabem se há ou não possíveis doadores compatíveis para seus pacientes. Se não há, a melhor opção passa a ser a análise da possibilidade de utilizar sangue de cordão umbilical ou doador aparentado haploidêntico. Não fazem mais sentido em nosso país as grandes campanhas para cadastro de doadores de etnicidade já bem representada no registro.

Ao final do primeiro dia, houve ainda a presença da Fundação ICLA da Silva, uma organização sem fins lucrativos, que atua nos Estados Unidos, com a missão de recrutar e fidelizar doadores de medula óssea e prestar serviços de apoio a pacientes. A ICLA Foundation, como é chamada, compartilhou sua experiência com a mudança da política de registro norte-americano, em que não cadastra indiscriminadamente um potencial doador, mas sim otimiza as necessidades locais de tipagens HLA.

O gerente do Redome, Alexandre Almada, compartilhou a evolução do processo de acreditação internacional pelo qual o Registro passa, com o objetivo de profissionalização, melhoria contínua de processos e de qualidade, que culminará em certificação internacional conferida pela World Marrow Donor Association (WMDA) - uma associação de registros internacionais que visa à divulgação e ao acompanhamento das melhores práticas de transporte e utilização de células para transplante de medula óssea.

A coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Dra. Rosana Nothen, salientou a importância de otimizar recursos no campo do TCTH. Em sua apresentação, ela mostrou grande preocupação com a espera dos pacientes pela internação para realizar o transplante e a premente necessidade de intervenção do SNT no sentido de auxiliar neste acesso.

Diversas sugestões foram levantadas nos quatro workshops ( laboratórios; hemocentros; serviços de transplante não aparentado; e bancos de sangue de cordão umbilical e placentários) para agilizar e melhorar as buscas, as coletas e, importante, conhecer os resultados dos transplantes que são realizados em nosso país.