Irradiação de Hemocomponentes: confira nota da SBTMO em atenção às normativas fundamentais na prática deste procedimento
06/07/2016


A SBTMO, tendo em vista o aumento do número de centros transplantadores autorizados, sobretudo, a realizar o TCTH autólogo, e o fato de a maior parte dos transplantadores não ser hemoterapeuta, chama a atenção da comunidade médica sobre as normativas estabelecidas na Portaria MS nº. 1.353, de 2 011, quanto a utilização de hemoderivados, fundamentais para evitar irregularidades neste tipo de procedimento.

Com o objetivo de contribuir com a qualidade do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) no Brasil a entidade reforça a importância de se ter conhecimento da referida portaria, em especial, ao artigo 60, em que ficam estabelecidas as necessidades e especificidades da irradiação de hemocomponentes, conforme transcrito a seguir:

Art. 60. Os componentes sanguíneos irradiados são componentes celulares que devem ser produzidos utilizando-se procedimentos que garantam que a irradiação tenha ocorrido e que a dose mínima tenha sido de 25 Gy (2.500 cGy) sobre o plano médio da unidade irradiada.

§ 1º A dose em qualquer ponto do componente não deve ser inferior a 15 Gy (1.500 cGy) e nem superior a 50 Gy (5.000 cGy). Este procedimento tem como objetivo inativar funcionalmente linfócitos viáveis dos produtos sanguíneos.
§ 2º As unidades irradiadas devem ser adequadamente rotuladas e identificadas e o processo de irradiação deve ser validado periodicamente.
§ 3º A irradiação será feita em irradiador de células próprio para irradiação de sangue e componentes, e:
I - quando esse aparelho não estiver disponível, a irradiação pode ser feita em acelerador linear usado para tratamento de radioterapia sob supervisão de profissional qualificado; e
II - o controle de qualidade da fonte radioativa do equipamento deve ser realizado e documentado, no mínimo anualmente.
§ 4º A irradiação pode ser realizada no próprio serviço de hemoterapia ou em centros contratados.
§ 5º A validade dos componentes celulares irradiados difere pela lesão de membrana, portanto:
I - o concentrado de hemácias irradiado deve, preferencialmente, ser produzido até 14 dias após a coleta e obrigatoriamente armazenado até no máximo 28 dias após a irradiação observando a data de validade original do componente;
II - nos casos em que exista justificativa para a irradiação de componentes com mais de 14 dias de coleta, a transfusão deve ocorrer em 48 horas;
III - o concentrado de hemácias irradiado para uso em transfusão intrauterina ou transfusão neonatal maciça deve ser utilizado até no máximo 24 horas da irradiação e 5 dias após a data da coleta; e
IV - os concentrados de plaquetas e os concentrados de granulócitos irradiados mantêm as suas datas de validade original.
§ 6º A indicação de componentes celulares irradiados tem como objetivo reduzir o risco de Doença do Enxerto Contra Hospedeiro associada à Transfusão (DECH-AT), em situações como:
I - transfusão intrauterina;
II - recém nascidos de baixo peso (inferior a 1.200 g) e/ou prematuros (inferior a 28 semanas);
III - portadores de imunodeficiências congênitas graves;
IV - pacientes recebendo terapia imunossupressora como pós transplante de medula óssea;
V - transfusão de componentes HLA compatíveis;
VI - quando o receptor for parente em primeiro grau do doador; e
VII - nas demais situações clínicas, a decisão de irradiar os componentes ficará sujeita à avaliação e protocolos de cada serviço de hemoterapia.