Ampliada discussão sobre transplantes de medula óssea
28/03/2016

 O Projeto Conexão Caipira, criado há mais de dez anos no Centro de Terapia Celular (CTC) da USP para realizar discussões sobre transplantes de medula óssea, passa a integrar o calendário oficial de eventos da Sociedade Brasileira de Transplantes de Medula Óssea (SBTMO). A iniciativa, que tem como objetivo discutir os problemas, avanços e conquistas na área do transplante, hematologia e hemoterapia, receberá o nome de “Reuniões Educacionais da SBTMO”. O projeto foi idealizado no CTC por um dos pioneiros em transplantes de medula óssea no Brasil, o professor Júlio César Voltarelli, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.


Voltarelli iniciou o Conexão Caipira com reuniões mensais de pesquisadores e médicos de quatro centros do interior paulista: Barretos, Ribeirão Preto, Jaú e São José do Rio Preto. O objetivo dos encontros, discutir os problemas, avanços e conquistas na área do transplante, com foco em hematologia e hemoterapia, se expande, e o projeto, até então “caipira paulista”, passa a integrar novos centros como: Brasília (Distrito Federal), Uberaba (Minas Gerais), Campinas e São Paulo.


O crescimento do projeto, que agora passa a chamar “Reuniões Educacionais da SBTMO”, é reflexo do sucesso das pesquisas e tratamentos desenvolvidos pela equipe do Centro de Terapia Celular (CTC) da USP. Reconhecido pela ousadia e pioneirismo do professor Voltarelli, que morreu em 2012, e hoje coordenado por seus colegas, entre eles a professora Belinda Pinto Simões, o transplante de medula óssea para tratamento de anemia falciforme foi liberado no ano passado, pelo Ministério da Saúde, para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A anemia falciforme é a doença genética mais recorrente no Brasil, principalmente em afrodescendentes. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de quatro mil crianças brasileiras nascem por ano com a síndrome, o que pode reduzir de vinte e cinco a trinta anos a expectativa de vida para elas. E o transplante de medula óssea, atualmente, se postula como única terapia que oferece cura total.


O CTC, em parceria com o Hospital das Clínicas da FMRP da USP, é pioneiro no país na realização deste procedimento e, até hoje, tratou experimentalmente 27 pacientes, com alta taxa de cura. O CTC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


(Com informações de Eduardo Loria Vidal, CTC/CEPID Ribeirão Preto)

Fonte: Agência USP