Primeiro transplante de medula alogênico é realizado no ICDF
21/01/2015

Nesse procedimento, as células não são do próprio paciente, mas sim de um doador da mesma família do receptor

O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) realizou o primeiro transplante de medula alogênico aparentado de Brasília. Trata-se de uma operação em que as células não são colhidas do próprio paciente, mas sim de uma outra pessoa. O termo “aparentado” significa que o doador é da mesma família do receptor. A paciente, uma jovem de 18 anos, sofria de anemia aplástica grave, doença que faz com que a medula óssea se destrua e pare de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Ela recebeu a doação da irmã, de 35. As duas recuperam-se bem.

A cirurgia ocorreu em 30 de dezembro e conclui um ciclo de ações realizadas pelo ICDF, em parceria com o Ministério da Saúde e com a Secretaria de Saúde do DF. Os transplantes alogênicos também servem para combater casos de câncer. Em todo o país, existe uma carência de leitos para transplantes de medula óssea, principalmente por causa do custo elevado de equipamentos e profissionais.

Trajetória
De acordo com o hematologista e coordenador de transplantes de medula óssea do ICDF, Gustavo Bettarello, transplantes alogênicos começaram a ser feitos no mundo na década de 1970 e chegaram ao Brasil 10 anos depois. Em 2013, o Instituto de Cardiologia iniciou o programa de transplantes de medula óssea no DF. Na ocasião, o hospital dispunha somente de dois leitos exclusivos para o procedimento e estava habilitado para realizar apenas procedimentos do tipo autólogo — quando as células são colhidas do próprio paciente.

Nesse meio tempo, foram realizadas 33 operações dessa natureza. Isso fez com que o DF passasse do quarto para o segundo lugar no ranking de transplantes por milhão de habitantes. “Com a demanda, tivemos a ideia de começar a fazer o transplante alogênico também. Como é de maior complexidade, era necessário que a equipe e a instituição se preparassem primeiro realizando o autólogo”, acrescenta Bettarello.

Fonte: Correio Braziliense