Um ‘sacrifício’ que salva vidas: a doação de medula óssea
03/12/2014

O procedimento ainda assusta algumas pessoas, mas ajudar a quem precisa é muito gratificante

Você já pensou na possibilidade de salvar uma vida? Saiba que para isso é preciso apenas boa vontade e acreditar que você pode fazer a diferença na vida de mais de duas mil pessoas que aguardam por um transplante de medula óssea no Brasil.

Hoje, o país ainda precisa de doadores de medula óssea. Mesmo sendo o 3º maior banco de doadores do mundo, o grande problema para a realização do procedimento é a falta de leitos para que os transplantes possam ser realizados e a não atualização do cadastro dos possíveis doadores.

A iniciativa

O primeiro passo para ser um doador é procurar um hemocentro no estado (em São Paulo, é o Hemocentro da Santa Casa) e fazer o cadastro no REDOME (Registro Nacional dos Doadores de Medula Óssea). Após o preenchimento, haverá uma coleta simples de sangue para o teste de compatibilidade.

Os dados do doador e a tipagem serão cadastrados no banco e quando aparecer um paciente com a medula compatível com a do doador, esse será chamado para realizar novos testes sanguíneos.

A fisioterapeuta Luciana Saldanha, moradora do Mato Grosso do Sul, se cadastrou no REDOME em 2005, e nessa semana esteve em São Paulo para realizar a doação de medula óssea. “Quando me disseram que eu era compatível com um paciente, fiquei surpresa e muito feliz. Pensei em como Deus é bom em podermos ajudar alguém que tanto precisa. Não há como descrever em palavras essa emoção, de saber que estou salvando literalmente uma vida”, disse.

À procura de um doador

Quando a uma pessoa doente é indicado o transplante de medula óssea, o primeiro passo é recorrer à família. Caso os familiares não sejam compatíveis, cadastra-se o paciente na lista de transplantes e busca-se um possível doador no REDOME.

“Primeiramente faz-se o exame de compatibilidade com os irmãos – em cada quatro irmãos em média, 1 é compatível. Se não for encontrado o doador ideal, é preciso cadastrar o paciente na lista de espera de transplantes e esperar por um doador que, possivelmente, pode ser encontrado no REDOME”, explica o professor da Unifesp e chefe do Transplante de Medula Óssea do Hospital São Paulo, José Salvador de Oliveira.

Para salvar vidas

Muito se fala que doar medula é um processo doloroso, mas segundo o médico José Salvador, “o fato de salvar uma vida, compensa todo o sacrifício, e a medula se refaz automaticamente”.

A doadora Luciana relata a experiência da doação: “fui sedada e no momento do procedimento não senti nada. Após o procedimento, a região lombar fica dolorida, mas nada insuportável. Mesmo com a dor fico feliz por saber que estou fazendo a diferença na vida de alguém”.

Problemas atuais

Ao agir pela emoção, muitas pessoas fazem o cadastro no REDOME, mas não o mantém atualizado, o que dificulta encontrar o doador compatível.

“Muitas pessoas agem por emoção e fazem o cadastro no banco de doadores, mas não levam a sério a importância desse ato. Em muitos casos não mantém as informações pessoais atualizadas e em outros, ao serem chamadas para fazer a doação, desistem. É preciso fazer a atualização dos dados”, explana o hematologista do hospital das Clínicas, José Ulysses.

Outro problema encontrado é a falta de leitos para a realização do transplante. Ou seja, encontra-se o doador compatível, mas não há como realizar o procedimento.

“A oferta aumentada de doadores voluntários faz com que não haja leitos. Como o transplante é de extrema complexidade, um leito fica ocupado de dois a três meses, ‘impedindo’ que mais transplantes sejam feitos em um espaço curto de tempo. Hoje há muito menos leitos para o doador não-aparentado (voluntário) do que para o aparentado (família)”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Lúcia Silla.

Fonte: Jornal do Trem