Doença falciforme: país aguarda inclusão do transplante de medula como opção terapêutica
11/11/2014

A inclusão do transplante de medula óssea (TMO) como opção terapêutica da anemia falciforme, doença hereditária mais prevalente no Brasil está programada para o mês de dezembro. É o que foi anunciado ontem, dia 10 de novembro, pelo coordenador geral do Sistema Nacional de Transplantes, Heder Murari Borba, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realizada para debater o assunto.

Belinda P. Simões, membro da SBTMO e pesquisadora da USP-Ribeirão Preto, que atua em falciforme, explica que é consolidado que a sobrevida é de 95% em pacientes com anemia falciforme já submetidos a transplante.

De acordo a presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Lúcia Silla, hoje o procedimento já beneficia pacientes com doenças oncohematológicas, como linfomas, leucemias e mielomas. “Hoje o transplante é o único com possibilidade de cura. O tratamento clínico da doença disponível no Brasil até o momento consiste no uso da hidroxiureia para controlar os sintomas com ou sem transfusões de sangue, o que pode levar a uma sobrecarga de ferro no organismo”, alerta a presidente da entidade. Com o TMO, as células doentes são substituídas, evitando expor o paciente aos riscos de transfusões contínuas.

Promessas esperadas
Em agosto deste ano, durante o Congresso Brasileiro de Transplante de Medula Óssea, o coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari, anunciou que a redação final do decreto havia sido finalizada e a assessoria jurídica do MS havia concluído revisão. Segundo ele, à época a matéria seguia para a Casa Civil, para ser validada pela presidente da República e, assim que o decreto entrasse em vigor haveria as mudanças.

Critérios de indicação ao procedimento anunciados
Conforme informações emitidas pela Agência de Notícias do Senado, serão indicados ao transplante os casos mais graves, como quem tem lesão cerebral ou risco de ter devido à doença, ou quem sofra com constantes crises de priapismo (ereções prolongadas e dolorosas), por exemplo. Com a publicação da portaria o SUS deve começar a realizar os procedimentos no início de 2015. Estima-se que 60 a 80 casos por ano poderão ser atendidos.