Mudanças no transplante de medula óssea são anunciadas em Congresso hoje
14/08/2014

Encontro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea teve início hoje, dia 14, e vai até 17 de agosto, em Belo Horizonte (MG)

Na manhã desta quinta-feira, dia 14 de agosto, durante o XVIII Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde (MS), Heder Murari Borba, anunciou mudanças no campo do transplante de medula óssea.

Segundo ele, é iniciada uma nova fase, em que a prioridade não mais é a busca por doadores para integrar o registro brasileiro (REDOME), mas sim a garantia da realização do procedimento. “Está sendo montada uma estrutura para que seja reportada diariamente a capacidade de transplantar. Vamos trabalhar no sentido de viabilizar o agendamento do procedimento para as 200 pessoas que hoje estão na lista de espera e não tem oportunidade por carência de vagas”, relatou.

O Ministério da Saúde aportará mais recursos para a abertura de novos leitos de transplante, sobretudo alogênicos (não aparentados e aparentados), e passará a regular em âmbito nacional os leitos dos hospitais transplantadores. Isso deve ocorrer em um período de quatro meses e, até janeiro, tudo deve estar regulado, declarou Murari.

O coordenador do SNT explicou que em lugar de hospitais trabalharem individualmente, ou de ocorrerem trocas de informações entre médicos, haverá uma regularização nacional neste aspecto. Com a regulação será possível mensurar a sobrevida dos pacientes.

Para a presidente da SBTMO, Lúcia Silla, a iniciativa é positiva. Segundo ela, a entidade irá apoiar a manutenção do abastecimento do registro de procedimentos. Apesar do número expressivo de brasileiros cadastrados no Registro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), no qual estão listados mais de três milhões de pessoas como potenciais doadores voluntários, ainda há uma fragilidade no que cabe à realização do transplante de medula óssea no País quanto o acesso aos leitos para efetivar o procedimento na modalidade “alogênico” – quando o doador é aparentado ou não aparentado.  “Hoje a infraestrutura está em déficit para atender a demanda. Precisamos ao menos dobrar a capacidade nacional”, relata Lúcia.

Com o crescimento da “oferta” desses voluntários, atender a demanda passou a ser um desafio. Muitas vezes o paciente encontra o doador compatível, mas não há local para realizar o procedimento. “A fragilidade enfrentada hoje é que o número de pacientes é muito maior em relação à capacidade física instalada no País para a realização desse tipo de procedimento, sem falar na formação e disponibilidade de equipes multiprofissional especializada, fundamental para o sucesso dos transplantes”, avalia a presidente da Sociedade, a hematologista e transplantadora Lúcia Silla. 

Revisão da Portaria dos Transplantes

A revisão do regulamento técnico dos transplantes, o que inclui o de medula óssea, também foi pauta das discussões na manhã de hoje. A presidente da SBTMO, Lúcia Silla, relata que há muito se espera por isso, em especial, no que cabe a inclusão dos casos graves de anemia falciforme, a doença hereditária mais prevalente no Brasil, no rol de procedimentos que tem no TMO indicação de opção terapêutica. Hoje o procedimento já beneficia pacientes com doenças oncohematológicas, como linfomas, leucemias e mielomas.

Heder Murari relata que a redação final do decreto foi finalizada há seis meses e a assessoria jurídica do MS concluiu a revisão a cerca de vinte dias. No momento a matéria segue para a Casa Civil para ser validada pela presidente da Republica. Assim que decreto entrar em vigor haverá mudanças.


A pesquisadora da USP-Ribeirão Preto, Belinda P. Simões, que atua em falciforme, explica que é consolidado que a sobrevida é de 95% em pacientes com anemia falciforme já submetidos a transplante.


Murari estima que ainda neste segundo semestre do ano seja publicada a nova portaria.