Pesquisadores brasileiros repercutem na mídia nacional com estudos apresentados no 40º EBMT
10/04/2014

Em reportagem publicada em 4 de abril pelo jornal Correio Braziliense (Diários Associados) os pesquisadores brasileiros no campo do TMO e membros da SBTMO Lúcia Silla (presidente), Nelson Hamershlack (HIAE) e Belinda P. Simões (HC-FMUSPRP), repercutiram os resultados apresentados no 40º EBMT Annual Meeting, realizado nos dias 30 de março a 2 de abril, em Milão, Itália.

Confira a reportagem na íntegra abaixo:

Há apenas 10 anos, indivíduos com mais de 55 anos estavam excluídos de qualquer estratégia terapêutica que envolvesse o transplante de medula óssea devido a preocupações com relação à toxicidade do procedimento. Esse é só um dos fatores que trazia receio aos médicos no momento de escolher o melhor tratamento para essa faixa etária. Idosos também tendem a ter mais comorbidades, isto é, doenças crônicas além daquela que motiva o transplante, como diabetes, dificuldades respiratórias e hipertensão.

Hoje, porém, um número cada vez maior de transplantes são realizados nesses pacientes para combater cânceres sanguíneos, como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, mais comuns a partir dos 65 anos. A eficácia da técnica para esse público foi o principal tema discutido no 40º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Transplante de Medula Óssea, realizado nesta semana em Milão, na Itália.

Atualmente, entre 25% e 30% dos transplantes de medula óssea nos EUA são realizados em pacientes com mais de 65 anos, de acordo com o Programa Nacional de Doadores de Medula dos Estados Unidos. O dado mostra um aumento de pessoas beneficiadas com o tratamento graças à mudança do limite de idade para o procedimento.

Essa alteração foi motivada por avanços como a redução da intensidade da quimioterapia e a melhoria dos cuidados de apoio. De acordo com estudo publicado na revista Biology of Blood and Marrow Transplantation, existem mais de 100 mil sobreviventes desse tipo de transplante nos Estados Unidos. A expectativa é de que esse número dobre em 2020 e chegue a 500 mil em 2030. “Ser capaz de expandir o uso da terapia de transplante na faixa etária que mais precisa dele é uma realização e um grande avanço para o nosso campo”, declarou o presidente da Sociedade Americana de Transplante de Medula Óssea (ASBMT), Fred LeMaistre.

PALAVRA DO ESPECIALISTA

Mais segurança para o paciente

"O limite de idade de pacientes que necessitam transplantes vem aumentando periodicamente. Inicialmente, pacientes acima de 40 anos não eram elegíveis. Essa idade, então, foi passando para 45, 50, 55… Hoje, podemos falar em transplantes em pacientes com até 75 anos. O que mudou foi a segurança das drogas, dos antimicrobianos e, principalmente, dos regimes de quimioterapia que são realizados como forma preparatória dos transplantes, o que possibilitou modalidades de baixa toxicidade. Essa toxicidade era principalmente para alguns órgãos vitais como rins, fígado, pulmão, intestino e coração. Os pontos principais para essa discussão vêm da evidência científica. Vários trabalhos, inclusive experiências de nosso grupo, vêm demonstrando a segurança do transplante acima dos 55 anos."

Nelson Hamershlack, coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Fonte: Correio Braziliense