Mais de 700 congressistas participaram do XVII Congresso da SBTMO em São Paulo
05/09/2013

 O resgate histórico sobre o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) no Brasil e a homenagem ao hematologista americano Edward Donnall Thomas, inauguraram o XVII Congresso da SBTMO na capital paulista e emocionaram os congressistas presentes. As conferências de abertura foram conduzidas por Luis Fernando Bouzas, 1º tesoureiro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e presidente da Comissão Científica do XVII Congresso, e por Mary Flowers, onco-hematologista brasileira que atua no Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle (EUA).

Entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro, aproximadamente 700 transplantadores e outros profissionais de áreas correlatas puderam prestigiar conferências, mesas-redondas e atividades extras conduzidas por 160 palestrantes nacionais e oito internacionais sobre transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), terapia celular regenerativa e outros temas relacionados.

Compuseram a mesa de honra da solenidade de abertura do XVII Congresso da SBTMO: Heder Murari Borba, coordenador geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (SNT/MS); Frederico Dulley, presidente do XVII Congresso da SBTMO; Beto Albuquerque, deputado federal; João Paulo Baccara Araújo, gerente geral de Sangue e Componentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); Desiré Carlos Callegari, primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM); Antônio Carlos Campos de Carvalho, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (DECIT/MS); Lucia Silla, presidente da SBTMO; Margareth Torres, presidente da Associação Brasileira de Histocompatibilidade (HLA); e Luis Fernando Bouzas, 1º tesoureiro da SBTMO e presidente da Comissão Científica do XVII Congresso da SBTMO.

Durante a cerimônia, Bouzas celebrou a evolução da especialidade no País. Ele destacou a marca de mais de 2.300 transplantes realizados apenas em 2012, o progresso do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), os avanços na área de imunogenética, com a criação da Rede Brasil de Imunogenética, e a expansão dos Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Plancentário (BSCUPs). Para o 1º secretário da SBTMO, Mair de Souza, os dados do Redome e do Rereme, apresentados por Bouzas, ressaltaram o desenvolvimento brasileiro em TMO. Ainda de acordo com ele, a homenagem a Edward Donnall Thomas foi o momento mais comovente do encontro.

Apesar das dificuldades encontradas para a organização do encontro, Bouzas elucida que a Comissão se esforçou para proporcionar aos congressistas uma programação densa, prática e informativa. “As dificuldades não impediram que organizássemos um congresso com a essência da comunidade científica brasileira”, comemora. Inclusive, a realização de atividades extras como Grupos de Trabalho, Café com Especialista, Workshop Dech e o Curso de Faturamento de Contas em Unidade de Transplante de Medula Óssea, complementaram e diversificaram a programação. O presidente do XVII Congresso da SBTMO, Frederico Dulley, parabenizou o trabalho da Comissão Organizadora e Científica, e destacou a primazia da grade científica, multidisciplinar e de pediatria. “O nível das apresentações e dos debates foi excelente”, avalia.

Na opinião da presidente da SBTMO, Lucia Silla, o ponto principal do encontro foi a consolidação dos Grupos de Trabalho, pois deles originam estudos cooperativos e outras iniciativas multicêntricas. Lucia também destaca as sessões relacionadas à terapia celular regenerativa e a reunião entre a diretoria da SBTMO e da American Society for Blood and Marrow Transplantation (ASBMT), com a participação do diretor do DECIT/MS, Antônio Carlos Campos de Carvalho.

As entidades aproveitaram a oportunidade para solidificar a parceria. Na ocasião, discutiu-se o ingresso de residentes brasileiros no International Scholarship Program da ASBMT. A iniciativa visa alocar residentes estrangeiros dentro dos serviços de TMO dos Estados Unidos. Segundo Lucia, a parceria estabelecida entre a SBTMO e a ASBMT proporcionará prerrogativas aos brasileiros. Ainda de acordo com ela, é fundamental que a SBTMO conquiste sua identidade desvinculada do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e do Ministério da Saúde. “Estamos amadurecendo enquanto Sociedade que deve desempenhar o papel de congregar os membros da comunidade transplantadora. Temos um ótimo diálogo com o Inca e com o Ministério da Saúde, mas não somos essas instituições”, afirma.

Fora a programação educacional, científica e multidisciplinar, a SBTMO aproveitou a oportunidade para lançar o livro Diretrizes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea – 2012. A publicação é oriunda da II Reunião de Diretrizes, realizada entre os dias 4 e 6 de maio de 2012, em Angra dos Reis (RJ). Aproximadamente 100 especialistas ajudaram a engendrar os capítulos da publicação editada por Nelson Hamerschlak, Luis Fernando Bouzas, Adriana Seber, Lucia Silla e Milton Artur Ruiz. Segundo Bouzas, o livro oferecerá diretrizes para todas as unidades de TMO e será revisado a cada dois anos.