Rede Brasil Cord abrirá novos BSCUP
24/01/2013

Bancos de sangue de cordão umbilical e placentário serão implantados em mais quatro cidades do País: Manaus (AM), Campo Grande (MS), Salvador e São Luis (MA). Até 2016 a expansão da Rede BrasilCord deve ser concretizada. O objetivo é aumenta as chances de pacientes encontrares doadores compatíveis no País.

Confira abaixo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo de 21/01.


Brasil abrirá novos bancos de sangue de cordão umbilical para transplante


MARIANA VERSOLATO


DE SÃO PAULO


A rede de bancos públicos de sangue de cordão umbilical vai se expandir para aumentar as chances de pacientes encontrarem um doador compatível para transplante de medula no país.
Criada em 2004, a rede é coordenada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e armazena material retirado do cordão umbilical de recém-nascidos.

Hoje há 12 bancos públicos no país, seis deles no Sudeste. A expansão da rede BrasilCord --gerenciada pela Fundação do Câncer-- para Norte, Nordeste e Centro-Oeste quer completar o perfil genético do brasileiro e aumentar as chances de pessoas de todas as regiões encontrarem um doador.

Quatro cidades terão bancos até 2016, com um aporte de R$ 23 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico).

Manaus e Campo Grande foram escolhidas pois têm diversidade genética proveniente dos indígenas. Já São Luís recebeu negros escravos do Benin, e Salvador, da Nigéria. Por isso, têm materiais genéticos muito diferentes.

A escolha dos novos bancos foi feita após análise das características do Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula) e dos pacientes que buscam um doador, para saber que grupos estavam sem cobertura. A logística também foi um aspecto relevante, segundo Luis Fernando Bouzas, coordenador da Rede BrasilCord.

"Se eu encontro um doador compatível em uma região inóspita, é muito mais difícil encontrá-lo e fazer seu transporte para um hospital do que pegar o sangue do cordão armazenado daquela mesma área", diz.

Para a hematologista Carmen Vergueiro, da Santa Casa de São Paulo e presidente da Ameo (Associação da Medula Óssea do Estado de São Paulo), a iniciativa é boa porque a diversidade genética do Brasil dificulta achar um doador. Segundo ela, a diversidade deve estar representada no registro de doadores.

Em países da Ásia, cerca de 80% dos pacientes que precisam de um transplante de medula encontram um doador porque lá não uma miscigenação como há aqui.

No Brasil, as chances de encontrar um doador fora da família são de 30%. Hoje, 1.050 pessoas estão à procura de um doador compatível.

Bouzas diz que o número de transplantes não aparentados cresce rapidamente. Até 2003, segundo ele, o país fazia cerca de de 12 por ano. Em 2012, foram quase 250.

Isso se deve ao aumento de doadores e à criação da rede pública de sangue de cordão. Os novos bancos devem ajudar no crescimento, mas levarão pelo menos três anos para funcionar a todo vapor.


Com informações da Folha SP