Integração marcará XVI Congresso da SBTMO
17/07/2012


A décima sexta edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (XVI CSBTMO) será realizada entre os dias 2 e 5 de agosto.

Com sede em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, a expectativa é que o encontro receba mais de 800 participantes de diferentes regiões do País, além de convidados internacionais norte-americanos e europeus.

A equipe do INFO SBTMO conversou com a presidente da Comissão Científica do Congresso, a hematologista e especialista em TMO, Belinda Simões, sobre os destaques e as expectativas para esta edição do encontro que se consolida a cada ano.

De acordo com Belinda, neste ano o Congresso terá enfoque na integração entre médicos e multiprofissionais. “O lema será trabalharmos juntos”, ressalta. A especialista revela ainda que espera contar com a presença de pelo menos um representante de cada centro transplantador do País no encontro.

O encontro será também uma forma da comunidade de TMO homenagear o presidente do Congresso, professor Júlio César Voltarelli, que faleceu em março deste ano, em decorrência de complicações pós-cirúrgicas. Para Belinda e todos aqueles que conviveram direta ou indiretamente com Voltarelli esta foi uma grande perda.

Formada em 1986, em Ribeirão Preto, Belinda iniciou no campo do TMO em 1994, por incentivo de seu amigo e mestre, Professor Júlio César Voltarelli. Na época Voltarelli buscava justamente integrar o departamento de TMO com a hematologia, e Belinda foi chamada para esta empreitada pela qual se apaixonou e permanece até hoje. Confira a seguir a entrevista

Info SBTMO - Quais critérios balizaram as decisões da Comissão Científica na definição da programação desta 16ª edição do CSBTMO?


Belinda Simões – A Comissão Científica é formada por representantes do interior paulista que atuam em TMO de Campinas, Jaú, Barretos e São José do Rio Preto.

Procuramos fazer um Congresso pautado na troca de experiências com base em situações e problemas vivenciados no dia a dia, na prática. E, também buscamos integrar os multi (profissionais) dentro da programação geral. Nós gostaríamos que todo o serviço de transplante estivesse representado no Congresso.

Info SBTMO – Qual importância desta integração de especialistas e profissionais da saúde ligados ao TMO promovida no encontro?

Belinda Simões - Não dá pra fazer TMO sem equipe multiprofissional e reforçar esta integração é essencial. Percebemos que aproximar por meio das discussões científicas médicos e multiprofissionais dos serviços de TMO traria benefícios a todos, inclusive, ao paciente. 

Todo centro de transplante tem mais profissionais “multi” do que médicos. E há muitos aspectos referentes aos cuidados com os pacientes transplantados que nós médicos, muitas vezes, desconhecemos a importância.
Há, por exemplo, um desconhecimento quanto a relevância da fisioterapia e o que é possível fazer em termos da prática da fisio para o paciente; as possibilidades e benefícios da dieta...

A filosofia do congresso é está: trabalhar junto, atuar juntos. Devemos estar integrados o médico, o dentista, a nutricionista, o fisioterapeuta, a enfermeira, para discutirmos a situação do paciente. Em nossas visitas aos leitos é assim e enfocaremos esta prática também no Congresso.

Info SBTMO – Em relação à participação de profissionais do eixo Norte, Nordeste e Centro Oeste?

Belinda Simões – Foram convidados palestrantes das diferentes regiões do País para agregarem conhecimento, partilharem suas realidades. Esperamos que o Congresso seja também um provedor de capacitação e que haja um representante de cada centro de TMO, ao menos, no Congresso.

Info SBTMO – O encontro contará com a presença de quantos convidados internacionais?

Teremos convidados da Espanha, Inglaterra, França, Estados Unidos, Alemanha. Buscamos neste ano inovar em termos de convidados internacionais. Há muito de novo no campo do TMO no mundo e teremos além dos convidados norte-americanos, a presença de especialistas europeus, o que nos dará a possibilidade de ampliar o intercâmbio científico com os nossos colegas estrangeiros.

Info SBTMO – E em relação aos temas. Quais pode destacar?


Belinda Simões – Há um assunto que sempre trazemos à discussão que é a Doença do Enxerto Contra-Hospedeiro (DECH). Sobre o tema haverá uma mesa “A equipe multi no tratamento do DECH crônica”, com a participação do enfermeiro, fisio, odonto, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Também merece destaque o transplante não relacionado que cresceu muito no Brasil. Este tem sido um problema para nós, a questão da compatibilidade de Antígenos Leucocitários Humanos (HLA em inglês).

Tem muita coisa nova em termos de HLA, então, por isso traremos os convidados internacionais John A. Hansen (EUA) e Marcelo Fernandez-Vina (EUA).

Outra novidade neste ano é o TMO em idoso, porque a população brasileira e do mundo está envelhecendo e nós como especialistas teremos de encarar esta nova realidade. E este é um paciente de risco. 

Além disso, abordaremos transplante de células tronco hematopoiéticas em pediatria, nas doenças auto-imunes, nas doenças benignas; discutiremos a segurança do doador, TMO e linfomas T; o papel da dieta no sucesso do TMO, entre outros. 


Info SBTMO – Em quais aspectos o TMO no idoso é diferente de outras faixas etárias?

Belinda Simões – É diferente, é um paciente de alto risco, as estratégias têm que ser diferentes. Este é um assunto novo no campo do TMO e o mundo está se deparando com esta realidade e nós estamos nos preparando para ela. Estamos frente a esse doador não relacionado

Até por isso O TMO do idoso será um tema abordado no Congresso separadamente da pediatria. Enfocaremos essa questão especificamente do idoso.

Para se ter ideia, hoje no Brasil não há políticas públicas que contemplem o TMO para o idoso e queremos levantar esta discussão. Traremos para esta abordagem o Prof. Ernest Holler (Alemanha) e o Prof. Marcos de Lima (EUA). Os dois têm trabalhado nesta linha.

Info SBTMO – E em relação a questão das doenças autoimunes? Na edição anterior do Congresso houve muita discussão em relação ao TMO como terapêutica das autoimunes. Como será este ano?

Belinda Simões – Nossa preocupação, da SBTMO e do Congresso é passar a todos essa experiência que adquirimos ao longo do tempo aqui em Ribeirão Preto, onde tivemos o berço dos estudos nesta área.
Inclusive, temos trabalhado com isso há muito tempo. O Prof. Júlio Voltarelli dedicou sua vida profissional à pesquisas neste campo. Inclusive, este ano para nós do TMO, foi marcado pela morte de nosso amigo e grande pesquisador, Voltarelli, que faleceu em março.

Transplantar um paciente com esclerose múltipla não é a mesma coisa que transplantar um linfoma. Transplantar anemia falciforme não é a mesma coisa que transplantar uma leucemia aguda. Esperamos que a portaria do TMO para autoimunes fosse publicada em outubro do ano passado, o que não ocorreu até hoje. Por isso traremos novamente esta discussão à tona.

Assim, abordaremos isto nos working groups, grupos de discussões que aconteceram durante o Congresso com a participação de médicos e multi sobre diversos temas e este é um deles. Queremos uniformizar as condutas no Brasil com base na experiência que adquirimos em TMO para autoimunes.

Info SBTMO – A sra. mencionou os working groups. Qual será sua finalidade dentro do encontro?

Belinda Simões – O conceito do working group será o de uniformizar as condutas, em todos os aspectos que envolvem o TMO. É o de estimular o trabalho em conjunto, conforme o lema de nosso Congresso.
E, nossa ideia é que o grupo nasça no encontro, mas que perpetue, que se encontrem novamente e continuem as discussões, concretizem projetos, enfim, deem continuidade.

Info SBTMO – Como será neste ano o processo de análise da produção de trabalhos, dos resumos que serão apresentados no Congresso?

No último ano tivemos cerca de 200 resumos apresentados no encontro. Faremos a visita ao pôster. Estamos pensando em escolher alguns convidados internacionais para avaliarem pôsteres selecionados, acreditamos que valorizará ainda mais os trabalhos. Queremos com isso estimular a produção científica de qualidade em TMO no Brasil. Inclusive nas mesas redondas que tenham pôsteres relacionados com os assuntos discutidos, haverá indicação para que os congressistas visitem este trabalho na área de exposição de pôsteres do encontro.

Info SBTMO – Para finalizarmos, qual sua expectativa em relação ao Congresso?

Belinda Simões – Em primeiro lugar, considero estar à frente da Comissão Científica uma responsabilidade muito grande. Tenho dividido essa responsabilidade e sou grata as contribuições de todos, cada um em sua área.

Sem dúvida, este Congresso é um trabalho de várias mãos. Eu acho que este é um Congresso que tem uma característica, por ser menor, então ele tem um formato, uma proposta mais aconchegante, tem essa possibilidade de promover entre os participantes a troca de experiência, de informação. Esperamos que seja uma oportunidade única para todos!